Autoestima em transformação

(Foto: Jill Wellington/Pixabay)

A Covid 19 coloca a medicina e a humanidade em desafio. Ambas passam por reflexões e descobertas, a medicina busca avanços e nós fomos impostos a mudanças comportamentais. Sim, a pandemia fez com que as pessoas olhassem mais pra si, buscando mudanças e priorizando a realização de sonhos.

É interessante esta leitura em meu consultório, a sede de viver mais satisfeito consigo mesmo ficou maior. Pacientes que estavam com procedimentos marcados e precisaram ser suspensos por conta do coronavírus ficaram mais ansiosos diante da espera pelo retorno nas cirurgias eletivas. Quando ocorreu a liberação, outro processo teve inicio, um rígido e protetor protocolo, o exame clínico da covid passa a ser obrigatório, e, em caso positivo o procedimento é automaticamente suspenso, até a cura do paciente, os hospitais estão exigentes como têm que ser, e assim garante a biossegurança.

Porém, ainda neste contexto, outra maratona teve start, fomos surpreendidos pelo aumento da procura por procedimentos estéticos mais invasivos, as razões são facilmente identificadas, diante do fato de que o isolamento preventivo associado  ao afastamento das atividades profissionais permitia um tranquilo pós-operatório, sem pressa ou necessidade de voltar ao trabalho. Mas, algo me chamou atenção, o desejo de mudar, de se transformar, de se aceitar mais se tornou uma chama acesa. A silhueta ficou menos atraente aos olhos de quem queria se sentir mais especial, mais desejável. Em suma, o confinamento obrigou a todos a terem um olhar mais meticuloso e julgador. Era como se o tempo estivesse estacionado, dando permissão para que de fato, era preciso mudar de fora para dentro, pois o contrário já tinha ocorrido com os isolamentos.

Fica fácil compreender o motivo que levou ao aumento de cirurgias estéticas em vários países, entre eles Brasil e Estados Unidos, explodindo como uma  tendência global.  Segundo a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (American Society of Plastic Surgeons), 55% dos cirurgiões plásticos em todo o país relataram que a toxina botulínica foi o tratamento mais procurado durante a permanência em casa, seguido por 40% de implantes mamários. Claro, que a preferência estética é variável, no meu consultório explodiu a busca por lipoaspiração associada ainda a outro procedimento, como implantes de próteses. Mas, independente do procedimento desejado é importante entender que o processo de transformação é relativo ao bem estar, e neste momento, diante dos entraves que a humanidade como um todo enfrenta é assertivo atender desejos, realizar sonhos, permitir-se talvez seja a palavra de ordem em tempos de transformação.

Ficar bem para sí mesmo é divino.

Dr. Eduardo Sauter, Cirurgião  Plástico  – CRM 4649
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

 

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