Animado com a alta da arroba? Saiba a tendência dos preços para 2020

O LIVRE conversou com a analista de pecuária do Imea, Marianne Tufani, sobre o tema

Recordes e fechamentos com preços em forte alta, esse foi o cenário vivido pelo mercado da pecuária brasileira nos últimos dias, momento em que a arroba do boi chegou a R$ 230, no último dia 25, para a venda futura em outubro de 2020.

A sequência de altas levou os frigoríficos a reajustarem o preço da carne nas principais praças de produção e comercialização do país. Em Mato Grosso, líder na produção de bovinos, não foi diferente. Nos supermercados, o preço da carne teve aumento de pelo menos 12%, nas três primeiras semanas de novembro.

Já a arroba do boi alcançou o recorde da série histórica monitorada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foi a R$ 179,49. O Instituto também monitorou os preços máximos, cuja arroba chegou a casa dos R$ 200.

Tudo isso é reflexo de duas situações principais, explica a analista de pecuária do Imea, Marianne Tufani. A primeira delas é o próprio movimento de ciclo da pecuária. “Quando há um aumento de abate de fêmeas, cerca de dois anos depois, há uma redução de oferta de animais, elevando os preços”, explica.

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Mas, além disso, há outro importante fator influenciando esses preços. É a alta demanda pela proteína. As exportações intensas para o mercado chinês, devido ao surto de peste suína, desencadearam uma série de recordes.

Só no primeiro semestre do ano as exportações de carne para a China registraram aumento de 8,5%. De janeiro a novembro, as negociações movimentaram mais de 278 milhões de dólares. Só em outubro, a exportação de carne para o país asiático alcançou o maior valor em 23 anos, com o envio de 7,7 mil toneladas da proteína, que resultaram em 32 milhões de dólares em negócios.

“Então essa conjuntura tem intensificado a redução dos estoques de animais e, consequentemente, de carne no mercado em Mato Grosso. As habilitações de sete plantas frigoríficas no estado, neste segundo semestre, também favoreceram as exportações para o mercado asiático”, explicou.

Tendência para 2020

 

Diante desse cenário, até para o início do ano que vem, consultores afirmam que os preços devem ser manter em alta. “Se as exportações permanecerem nesse ritmo, somadas à redução das entregas de animais de confinamento, ou seja, uma redução ainda maior do estoque de animais para abate, junto com a demanda aquecida, os preços devem se manter em alta”, explica a analista do Imea.

Ela lembra que a carne bovina é muito cotada para as festas de final de ano, fazendo com que a demanda interna também aumente. “As perspectivas são de que as cotações se sustentem em um viés de alta. Essa é a tendência em todos os elos da cadeia”, disse.

Na análise da Safras & Mercado, não existem sinais, até o momento, que apontem para uma mudança na tendência dos preços no mercado do boi no curto prazo. A demanda pela carne tende a permanecer firme, aliada ao ápice do consumo no mercado interno, reduzem a oferta e abrem espaço para a subida de preços. No entanto, a consultoria acredita que estes sejam os preço máximos do mercado.

Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou, nesta semana, que a euforia no mercado do do boi gordo não deve continuar. Para ela, os preços da arroba devem se normalizar em breve e que este momento de equilíbrio da cadeia produtiva,  pois passou a exportar mais.

“A cadeia vive uma momento de euforia, mas já, já esse mercado vai se equilibrar. Os preços não serão os mesmos praticados há dois meses, mas, com certeza, essa euforia não continua. É um momento de ajuste da carne brasileira”, explicou.

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