18 de abril de 2026 07:46
CidadesCuiabá

Ex-presidente da Santa Casa critica gestores municipais e diz que falta dinheiro

Foto de Julia Oviedo
Julia Oviedo

A CPI dos Filantrópicos instalada na Câmara Municipal de Cuiabá ouviu nesta quarta-feira (13) o ex-presidente da Santa Casa de Misericórdia, Antônio Preza, que não mediu críticas à atual gestão da Saúde e à auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE). A Santa Casa possui atualmente uma dívida de R$ 75 milhões.

Logo no início da oitiva, Preza chegou, inclusive, a ironizar a comissão, dizendo que poderia se chamar “CPI da Santa Casa”. O presidente da comissão, vereador Renivaldo Nascimento (PSDB), fez questão de esclarecer o objetivo, que é o de investigar contratualizações de serviços entre prefeitura e hospitais filantrópicos, entre eles a Santa Casa.

Mas o argumento mais rechaçado pelo ex-gestor foi a declaração do atual secretário de Saúde de Cuiabá, Antonio Possas de Carvalho, que recentemente afirmou, também durante oitiva, que a Santa Casa devia ao município mais de R$ 24 milhões. Para Antonio Preza, o secretário mentiu sobre a dívida.

Utilizou o exemplo de parte deste “débito”, especificamente dos R$ 10,5 milhões que, segundo a Prefeitura, são referentes a cirurgias eletivas não executadas. No entanto, Preza afirma que este valor em nada tem relação com repasse da Prefeitura e sim de emendas parlamentares para custeio do hospital.

Já com relação aos R$ 2,9 milhões, que supostamente a Santa Casa deveria em exames não realizados, Preza afirmou que também se tratam de emendas parlamentares dos deputados Valtenir Pereira (MDB) e Adilton Sachetti (PRB). O médico desafiou o secretário a entrar na Justiça contra à Santa Casa para reaver estes R$ 24 milhões.

“Ele não vai colocar na Justiça porque sabe que vai perder. Estamos desafiando para que eles entrem justiça, porque estamos armadíssimos para essa briga. Esse secretário está seguindo o mesmo rumo do Huark [Douglas, ex-secretário municipal de Saúde, preso na Operação Sangria]. Só espero que não tenha o mesmo fim dele”, disse Preza.

Auditoria da CGE

Sobre a auditoria da CGE, Preza disse que quem solicitou foi a própria Santa Casa. Nesta mesma auditoria consta que a instituição teria feito a compra de equipamentos superfaturados, que não foram localizados nas dependências do hospital.

Preza esclareceu que a Santa Casa realmente adquiriu pelo valor de R$ 2,5 milhões um equipamento de ressonância magnética, mas que ele não estaria no hospital porque ainda falta quitar R$ 500 mil ao vendedor. No entanto, o médico nega que o equipamento esteja superfaturado, já que a comparação feita pela auditoria foi com um equipamento de menor tecnologia.

Já sobre os “supersalários” de 28 funcionários que poderiam chegar até R$ 40 mil mensais cada, o médico negou e entregou à comissão um relatório com os nomes e salários de funcionários do hospital. “Não existe nenhum funcionário que ganha 40 mil. Manda olhar o holerite. O maior salário é de uma diretora que trabalha há mais de 20 anos e ganha aproximadamente R$ 20 mil. Todo mundo que fala de salários exorbitantes nunca viu o holerite da Santa Casa”, explicou.

Sobre os rumores de que o ex-presidente teria comparecido à Delegacia Fazendária (Defaz), Preza admitiu que prestou esclarecimentos, tendo ido inclusive ao Ministério Público também.

Operação Sangria

Em um dos questionamentos feitos pelo vereador Abílio Junior (PSC), Preza admitiu que o ex-secretário de Saúde, Huark Douglas, teria durante sua gestão frente à secretaria, dificultado repasses para a instituição, chegando a insinuar que o ex-secretário poderia ter obtido vantagens com a dificuldade financeira da instituição.

O ex-presidente da Santa Casa também contou que Huark Douglas tentou, por meio de uma empresa da qual é sócio, assumir a UTI da Santa Casa, não tendo sucesso pela negativa da diretoria do hospital. Mas afirmou que nunca foi oferecido nenhum tipo de propina no trâmite.

“Enquanto secretário, ele só colocava pedra no caminho da Santa Casa, atrasando emendas e repasses. E o atual secretário também está no mesmo rumo”, destacou Preza.

Huark foi preso pela Operação Sangria, deflagrada em dezembro de 2018, suspeito de liderar um suposto grupo criminoso que estaria “monopolizando” contratos no setor de saúde de Cuiabá.

Intervenção

Os vereadores aprovaram na sessão desta terça-feira (12) a intervenção da Santa Casa, já que a instituição está de portas fechadas. No entanto, Preza acredita que para que a medida funcione, é necessário que haja dinheiro, principalmente por parte do Governo do Estado.

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