Queimadas no Pantanal: o trabalho dos bombeiros no pior índice em 22 anos

Munidos de balaclava, luvas, capacete e a farda, eles reconhecem que, por vezes, se perguntam: "o fogo vai nos acertar?"

(Foto: Secom-MT/Divulgação)

Há cerca de 15 dias, um incêndio atingiu o Pantanal mato-grossense. Os focos começaram a ser registrados no dia 21 de julho, na região da Transpantaneira, em Poconé (100 km de Cuiabá). A rodovia liga a cidade até Porto Jofre, local onde a maior parte dos turistas do mundo inteiro desembarca para conhecer o bioma.

Seria até normal nessa época do ano, dada a estiagem, não fosse este o maior incêndio florestal na região nos últimos 22 anos. São quase 7 mil focos de calor, o que representa um aumento de 530% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).

O rastro da fumaça alcançou Cuiabá e encobriu outros municípios da região metropolitana. A estimativa é que 40 mil hectares já tenham sido destruídos pelo fogo.

Um fogo combatido por cerca de 18 bombeiros, que se revezam em equipes. Parte fica na terra, munidos de balaclava, óculos, luva, capacete e uma farda espessa que, vez ou outra, precisa ser molhada para aliviar o corpo. Outros vão pelo ar, sobrevoando a região com um avião que dá apoio a quem está no chão.

(Foto: ICV)

O primeiro tenente do Corpo de Bombeiros Isaías Silva é um desses militares. Ele confirma que a região não registrava incêndio de proporções tão grandes há muito tempo. Os sedimentos acumulados podem ter contribuído para o tamanho, na sua avaliação.

Ainda de acordo com o INPE, o volume de chuva foi 50% menor do que deveria ter sido.

E na rotina de quem luta contra essas chamas, todo cuidado é pouco. Algumas vezes,  lesões e queimaduras são inevitáveis. As rajadas de vento – comuns dessa época do ano – são a principal causa de acidentes.

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Por isso, vez ou outra o medo se faz presente. “Dependendo da situação, o barulho ou o volume do fogo chega a fazer com que nos questionemos: vai nos acertar, corremos algum risco? Mas com os treinamentos criamos o controle psicológico”, conta.

Para o militar são esses treinamentos que ajudam a fortificar a “musculatura do psicológico”.

“Sempre somos submetidos a treinamentos constantes e a tensões. Não podemos ter medo de um incêndio. Se não tivermos treinamento e esse fogo ganha proporção a probabilidade de correr é grande”, brinca mesmo em tom sério.

Os riscos, porém, são pequenos perto da satisfação de cuidar do patrimônio natural, avalia o primeiro tenente. “Cuidar do Pantanal é cuidar da vida, do ecossistema. Mesmo cansados de um dia de trabalho é gratificante”.

(Foto: ICV/Reprodução)

Últimos 10 anos

Na última década, a região onde o incêndio é registrado aparece na lista dos 20 municípios de Mato Grosso que mais tiveram focos de calor. Colniza, no extremo norte do Estado, lidera essa lista. A média dos últimos 10 anos é de 1.568 focos de incêndio.

Paranatinga, São Félix do Araguaia, Aripuanã e Feliz Natal completam o ranking dos cinco primeiros colocados.

A lista também inclui (em ordem): Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Nova Ubiratã, Cocalinho, Juara, Barão de Melgaço, Marcelândia, Cáceres, Cotriguaçu, Poconé, Peixoto de Azevedo, Confresa, Gaúcha do Norte, Vila Bela da Santíssima Trindade e Ribeirão Cascalheira.

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