A revisão das regras dos incentivos fiscais causou impacto no bolso do consumidor em Mato Grosso. Nos supermercados em Cuiabá, o preço de alguns produtos aumentou; nos postos de combustíveis, o litro do etanol já custa bem mais. E a culpa seria do ICMS, imposto que incide sobre qualquer produto comercializado no Estado.
De um lado, o governo nega aumento do imposto. De outro, empresários dizem que não podem ficar com o “prejuízo”.
“O etanol subiu R$ 0,20 de um dia pro outro. Não tem quem aguenta pagar tão caro. Fica até difícil você trabalhar como motorista de aplicativo, porque o lucro vai diminuir bastante”, reclama o motorista João Augusto.
E não é só no posto. Na construção civil, vasos sanitários, torneiras e pia estão em média 18% mais caro neste ano. As produtoras de cimentos, insumo principal no ramo, também já anunciaram reajuste.
Uma mudança que já foi percebida também nas farmácias. Exemplo: um analgésico que até dezembro custava R$ 10, hoje custa R$ 12,09 (20%).
A margem de lucro do empresário quase dobrou com a modificação.
Conversa teti-a-teti
Descobrir, afinal, de quem é a culpa pode ser possível na próxima quinta-feira (30).
Governo e representantes do comércio participam nesta data de uma audiência pública para debater a alta dos preços. O encontro foi proposto por causa do que o governo vem chama de “aumentos injustificáveis”.
“Na verdade, nós não aumentamos nenhum imposto. O imposto é aquela alíquota sobre os produtos. O que nós fizemos foi cortar alguns privilégios de incentivos fiscais. Eu desafio alguém a mostrar que nós aumentamos a alíquota de imposto”, tem dito e repetido o governador Mauro Mendes (DEM).
Já os empresários mantém o discurso de que a mudança no ICMS pressiona a margem de lucro. Há algumas semanas, o empresário do ramo dos combustíveis, Aldo Locatelli, suspendeu a oferta do etanol nos postos da rede, segundo ele, por causa do novo imposto.
A Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) também vem anunciado aumento no comércio desde o fim do ano passado.
Protesto frustrado
Organizador do evento, Weliton Neto, disse que das cerca de 400 pessoas que mostraram interesse em participar do ato, quando ele foi anunciado, não mais que 30 compareceram.
“Eu acho que as pessoas ainda não entenderam o que está acontecendo. Nosso custo de vida está mais caro. O etanol se usa nos carros particulares, nos ônibus do transporte público. Não é justificável aumentar tanto. Há setores abusando”.




