Policiais e anjos da guarda: eles resgatam e cuidam de animais silvestres

E garante a reintegração à natureza, caso dos filhotes de onça parda que, em breve, serão soltos

Muita fofura: oncinha posa para a foto com proteção dos seus anjos da guarda: Gesaías e Joelma (Ednilson Aguiar/O Livre)

Resgatados recentemente, três filhotes de onça parda têm atraído as atenções no Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental. Mas na tarde de sexta-feira (10), o foco era cuidar do pardalzinho que caiu de um ninho e, pelos policiais, era encorajado a lutar pela vida.

O sargento Gesaías Antunes já preparava a papinha do passarinho enquanto a sargento Lílian alimentava um agitado esquilo, sedento por castanhas-do-pará.

O soldado Ricardo Seibert os acompanhava nas tarefas do dia, focadas em garantir que se recuperem logo os animais vítimas de maus tratos ou que foram encontrados perdidos perambulando próximos às cidades ou comunidades rurais.

Nas outras alas estão alojadas também várias espécies de pássaros – como as araras, maritacas e gaviões -, além de cobras, veado, porco do mato, tamanduás e uma brava jaguatirica, que foi diagnosticada com cinomose e está em tratamento há um ano.

Espécie rara, a jaguatirica está há um ano no alojamento para ser curada da cinomose (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Policiais e anjos da guarda

De acordo com a tenente Joelma Carvalho, os animais só saem de lá – reintegrados à natureza ou adotados – quando estão totalmente recuperados.

Neste ciclo, os policiais são peça-chave. É que além de fiscalizar, autuar, prender e realizar apreensões, atuam também como anjos da guarda dos bichinhos.

Um biólogo e um veterinário acompanham cada caso de perto e é a equipe de policiais que se encarrega dos cuidados.

“Eles amam o que fazem”, reforça a tenente orgulhosa da relevância do trabalho e empenho de sua equipe.

Entre os dias 1º de janeiro e 26 de dezembro de 2019, foram resgatados 1.074 animais e, atualmente, há 200 animais silvestres alojados no Batalhão.

Já quanto à reintegração à natureza ou adoção, foram 674soltos em seu habitat natural, destinados para outros institutos, que fugiram ou foram entregues para guarda provisória.

Infelizmente, outros 200 não resistiram. “A morte se dá em razão das condições em que ele é resgatado. Alguns chegam muito machucados”.

E as causas são diversas: traumas por atropelamento, choque em estruturas prediais (no caso das aves), ataque de animais domésticos (quando o animal adentra nas residências) e ferimentos provocados por armas diversas, como estilingue e espingarda de pressão ou ainda, armadilhas como redes de pesca, anzóis e linhas.

Chuva, incêndios e “invasão” humana

Os dados levantados com exclusividade para o LIVRE revelam ainda que os meses de maior fluxo de chegada dos animais – raros ou domesticados e vítimas de maus tratos – foi janeiro, setembro e outubro.

A tenente Joelma Carvalho explica. “Todos os anos, os resgates são mais numerosos em janeiro, por conta da regularidade das chuvas, que acaba os obrigando a sair de dentro da mata, assim, como em setembro e outubro, meses de estiagem e incêndios florestais”.

Mas segundo ela, deve ser realizado um estudo técnico para verificar a causa real desse aumento. De acordo com a equipe, levando-se em conta o perfil dos atendimentos, os animais sofrem com os impactos do desmatamento, expansão demográfica, invasões de áreas de preservação, o afugentamento com a destruição dos seus abrigos naturais, bem como a escassez de alimentos na natureza já alterada.

Ela conta que muitos bichinhos chegam até lá por pessoas que os encontraram, caso do pardalzinho. “Mas algumas pessoas também se surpreendem com a proximidade destes animais com suas casas. Não podemos esquecer que eles estavam ali e, na realidade, somos nós que invadimos os espaços deles”.

“Por exemplo, em São Gonçalo Beira Rio, macacos de pequeno porte acabam entrando nas casas, porque encontram comida. Mas rapidamente os moradores nos ligam pedindo para buscá-los. Mas vale ressaltar: eles já vivem por muito tempo nessa região, então, o ideal é dar um tempo para que eles saiam sozinhos”.

Afinal, a equipe acaba tendo que se deslocar até o local e isso demanda o aparato da Segurança Pública.

“Exceto estes casos, estamos sempre em alerta para resgatar animais que podem oferecer risco, como o tamanduá bandeira, que pode ferir uma criança com suas garras. Mas lembrando, porque ele se sente ameaçado. Esse é o mecanismo que ele usa como proteção”.

Reforço

Fora os períodos de chuva e estiagem, diariamente o Batalhão chega a realizar, em média, quatro atendimentos.

“Agora, por conta de uma atribuição recente do Corpo de Bombeiros, recebemos suporte, assim como de policiais militares em várias cidades do Estado”.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente ajuda a manter o espaço por meio de um termo de cooperação.

E quanto a outros parceiros, a tenente Joelma ressalta o apoio que recebem do Hospital Veterinário da UFMT, cuja equipe realiza atendimento de muitos destes animais. Também a clínica particular, Pet Company.

“Muitas ONGs também nos apoiam, como o Instituto Onça Pintada, que nos ajudam com a reintegração dos felinos à natureza, por exemplo”.

A tenente Joelma Carvalho se diverte com as novas moradoras do alojamento (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Quanto à alimentação dos animais, a tenente Joelma explica que parte da comida é comprada.

“Mas como realizamos muitas apreensões, como é o caso de pescado ilegal, acabamos revertendo para alimentação dos animais. Mas boa parte da dieta é à base de frutas”.

Ações educativas

O Batalhão tem investido em ações educativas para conscientização dos cidadãos, como relata o comandante, tenente-coronel Rodrigo Eduardo Costa. Ele afirma grande parte das ações da unidade são provocadas pelo trabalho ostensivo e denúncias.

Apreensão de armas e munições apreendidas em operações, por exemplo, representam menos animais abatidos em ações de caçadores. Mas as palestras realizadas ao longo do ano são essenciais. Em 2019, foram 572.

“Conscientizar crianças e adolescentes é prevenir possíveis agressores da natureza”.

O Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental atua desde 1983 em Mato Grosso, nas atividades de policiamento e fiscalização ambiental, na proteção da fauna, flora, recursos hídricos e florestais, das águas e mananciais, na repressão da poluição, caça e pesca ilegal, queimadas e desmatamento não autorizados.

O efetivo é distribuído nas unidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e Barra do Bugres, municípios que abrangem diversidades de rios, áreas do Pantanal mato-grossense e áreas de fronteira propensa ao tráfico de animais silvestres.

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3 COMENTÁRIOS

    • Si não fossem por aqueles que estão na ponta da lança os nobres pracinhas esse batalhão não iria para a frente!
      Enfrentam chuva, sol, dia, noite nos resgate ou na patrulha fluvial e lindo ver o trabalho e empenho deste nobres combatentes mesmo sem batalhão que está jogado as traças ainda sim não deixam a sua moral cair, sem equipamentos apropriados entre outras situações, fazem por amor a o meio ambiente, eu dou valor nos praças que estão 24 horas por dia mesmo enxugando gelo mas não para.

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