Pecuarista adota técnicas sustentáveis e aumenta 10 vezes a rentabilidade no campo

Pecuarista Breno Molina obtém rendimento anual de aproximadamente R$ 2,3 mil por hectare; média brasileira é de R$ 132 ao ano

Pecuarista Breno Molina - Foto: Assessoria

Breno Molina, 42 anos, administrador de empresas, possui 375 hectares de uma área em Poconé, no Pantanal mato-grossense, onde trabalha desde 2007 com um rebanho de aproximadamente mil cabeças. A partir da utilização de tecnologias de ponta, ele vem obtendo excelentes resultados e que são referência no Brasil em rentabilidade na pecuária e sustentabilidade.

Na última semana, a Nelore Moinho reuniu produtores e parceiros em um ‘Dia de Campo’, na Fazenda Onça Pintada, para mostrar o trabalho desenvolvido e que faz frente às melhores lavouras de soja. Além dos bons resultados zootécnicos, com baixa incidência de doenças, por exemplo, ele alcança uma lotação animal (a pasto) muito alta e superior a 4 cabeças por hectare, sendo que a média estadual é de 1 cabeça por hectare, ao ano.

Dia de Campo – Foto: Assessoria

No entanto, o que mais chama a atenção no sistema produtivo apresentado é o rendimento anual: aproximadamente R$ 2,3 mil por hectare, número 10 vezes superior à média de R$ 132 anuais da pecuária no Brasil e no Estado. Isso porque da área total de 375 ha, o trabalho é realizado por Breno Molina em apenas 205 ha da parte alta, que não sofre alagamento no período de chuvas no Pantanal.

Conforme o empresário, que também é presidente da Associação de Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT), foi importante abrir a porteira da propriedade por dois motivos. O primeiro é ajudar na divulgação dos seus animais que irão a leilão no mês de agosto. A outra proposta é mostrar aos demais produtores, incrédulos, que é possível mudar antigas concepções e com isso obter resultados melhores e em harmonia com o meio ambiente.

[featured_paragraph]“Quando conto sobre nosso trabalho, a maioria das pessoas não acredita, diz que sou louco ou mentiroso, que estou inventando, ou as duas coisas. Mas com esse projeto, realmente é possível agregar maior lucro à atividade, desde que se agregue de novas tecnologias e informações, é preciso estar aberto a algumas mudanças e enxergar a propriedade como um negócio que requer planejamento e investimento”. [/featured_paragraph]

Ele conta que deve a evolução do negócio a um planejamento minucioso de trabalho que envolveu uma proposta de médio e longo prazo. Com formação em administração de empresas, afirma que o primeiro passo foi enxergar a propriedade como uma empresa. Nesse período, também contou com a dedicação de uma equipe de profissionais especializados, cada um na sua área.

“O Dia de Campo não foi para vender uma proposta pronta de trabalho, mas para mostrar que o que eu faço é possível, então, cada pecuarista ou técnico na área da pecuária pode avaliar aquilo que estou realizando para poder, posteriormente, fazer um plano de trabalho que esteja adequado para a sua realidade, inclusive porque Mato Grosso é um Estado continental e com realidades muito distintas, então, cada produtor tem que encontrar sua maneira de fazer dar certo”.

Passo a passo

Durante o evento, Breno Molina falou com os visitantes sobre os passos para a implantação do seu plano de negócio, tudo começou com a análise do solo, no primeiro ano, e que é repetida anualmente. Como havia na propriedade rural da família investimento anual em calcário, ele insistiu que queria fazer análises para investir apenas o necessário e evitar o desperdício.

[featured_paragraph]“Para a minha surpresa, o valor economizado deu para pagar mais de dois anos de serviços do engenheiro agrônomo que foi contratado e acompanha o trabalho até hoje. Ao longo dos anos, temos tido menor necessidade de correções do solo”, explica. [/featured_paragraph]

O agrônomo Ademir Alves da Costa Junior explica que também é feito trabalho com adubação do solo, combate às plantas invasoras e pragas. Uma inovação que chama a atenção diz respeito à canalização da água para toda a propriedade. Ao longo de três anos, o pecuarista construiu um sistema rotacionado, com instalação de três poços artesianos e bebedouros, sistema que reduziu a praticamente zero o índice abordo em fêmeas prenhes.

Aliás, oferecer água limpa e potável ao rebanho vem contribuindo significativamente com a redução de doenças e melhoria no desempenho dos animais. “Não podemos ver tudo como custo, neste caso, porque são investimentos que têm retorno surpreendentes e valem muito a pena”, enfatiza Breno.

Foto: Assessoria

Desde o início, o pecuarista vem investindo também para multiplicar genética, principalmente do rebanho P.O., inclusive faz questão de ter o acompanhamento de um técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) até na compra dos seus animais. Quem faz esse acompanhamento é o zootecnista José Ferreira Pankowski, que elogia iniciativa, pois essa assessoria impacta em um geração inteira de do animal, com tempo médio de 5 anos.

[featured_paragraph]“Sou a terceira geração de pecuaristas na família, então, já estava observando a forma como meu pai e avô trabalhavam e percebi que não alcançaria os resultados esperados. Passei a planejar como poderia inovar, busquei novas oportunidades e levei em conta as condições naturais da região pantaneira para fazer esse trabalho, sem abrir novas áreas”, conta. [/featured_paragraph]

Para o médico veterinário, Lorenzo Pacheco, que coordena os trabalhos de toda equipe especializada, é importante criar condições para que a pecuária seja competitiva tanto quanto a agricultura ou mais. O sistema de trabalho é diferente, com ciclos mais longos. Mas é possível já nos primeiros dois anos sentir o impacto e chegar a um resultado extraordinário de R$ 400 por hectares.

Em oito anos, segundo Pacheco, é possível alcançar R$ 900 ou mesmo mil reais por hectare de lucratividade. “O investimento em genética é fundamental para haver o melhoramento do rebanho. Aliás, hoje, a produção na pecuária não tem mais lugar para processo amador, é necessário e fundamental profissionalizar a atividade”.

Leilão Fazenda Onça Pintada

Breno Molina vai promover o Leilão Fazenda Onça Pintada – Nelore Moinho no dia 4 de agosto deste ano, quando ofertará 300 fêmeas Nelore PO, contando com a assessoria de Ademir Jovanini Augusto Filho, da Premier Assessoria, e José Pankowski, técnico e jurado da ABCZ, proprietário da JP assessoria e membro do conselho técnico da ACNMT, responsável pela implantação e execução do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ) no Nelore Moinho. Haverá transmissão do Canal Rural para todo país. A leiloeira será a Programa Leilões, com a condução de Paulo Brasil, tradicional leiloeiro.

Número de Mato Grosso

Com mais de 30 milhões de animais, Mato Grosso tem destaque no cenário nacional por possuir o maior rebanho bovino do país, com cerca de 90% Nelore ou ‘anelorado’. À frente da ACNMT – Nelore MT desde dezembro de 2018, Molina frisa que a diretoria da instituição tem trabalhado em prol do aumento da produtividade da pecuária de corte mato-grossense.

“Nossa proposta para o Nelore é melhorar continuamente a qualidade da sua carne, que possui um tradicional ‘sabor do campo’, e com isso oferecer mais uma boa opção premium ao consumidor nas gôndolas dos supermercados do Brasil e do mundo”, afirma o pecuarista.

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