Parte das aulas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi suspensa e quem manteve o cronograma, precisou descer do ônibus na avenida Fernando Correa da Costa ou imediações da instituição e entrar no campus andando.
Qualquer tipo de veículo era impedido de entrar e o espaço nas avenidas do entorno ficou pequeno para a quantidade de carros estacionados.
Outro problema era a falta de sinalização adequada, o que causou confusão e deixou muita gente presa por horas.
Marilda Matzubara é professora aposentada e disse que veio buscar um documento, mas não sabia da paralisação. Resultado: quando viu, estava presa entre os carros.
Ela defende que, mesmo com os transtornos causados pelo fechamento das guaritas, a atitude dos funcionários é correta. “Eles já ganham salários baixos e ainda ficam sem receber. Não dá mesmo”.
Com relação a segurança, a educadora acredita que não haja problemas porque a segurança é patrimonial e a Polícia Militar está sempre circulando.
Impacto apenas dentro dos muros
Estudante do curso de pós-graduação, Ataíde Martins acredita que a paralisação vai sensibilizar a comunidade acadêmica e as pessoas que trabalham dentro da universidade, porém dificilmente atingirão o apoio da sociedade em geral.
Na opinião dele, quem teve a logística alterada acaba formando uma opinião sobre a questão. Já quem não vivência, não assumiria nenhuma postura porque individualmente não foi atingido.
“Precisamos saber o objetivos deles. Se era chamar atenção dentro do campus, conseguiram”.
A reivindicação
A universidade tem 64 vigilantes e uma parcela deles diz que está com 3 meses de salários em atraso. O restante afirma que está indo para o quarto mês sem receber.
Um dos profissionais, que não quis se identificar com medo de retaliações, conta que o empurra-empurra entre universidade e a empresa MJB perdura desde 2016.
“A empresa diz que a UFMT não pagou e a UFMT diz que pagou e a empresa não repassou. Queremos uma acareação entre os dois para saber quem está mentindo”.
João Batista (nome fictício) conta que ele, a esposa e um cunhado estão com o nome sujo na praça por causa dos atrasos. Como precisou fazer empréstimos sucessivos para pagar as contas e a empresa não regularizou o pagamento, a dívida virou uma bola de neve.
“Lá em casa, a situação vai virar separação. Minha luz está cortada há 1 semana e não tenho mais a quem recorrer. Fui na empresa pedir para me mandarem embora, assim teria pelo menos o dinheiro do fundo de garantia. Mas eles disseram que, se eu quisesse, era para pedir conta”.
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Outro lado
O LIVRE entrou em contato com a assessoria de imprensa da UFMT, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.
De acordo com os manifestantes, um representante da reitoria foi à guarita pela manhã e propôs que todos fossem até a administração para conversar. Eles não aceitaram o convite alegando querer uma reunião com a UFMT e a empresa MJB .
Os vigilantes garantem que, enquanto os salários não estiverem na conta, os portões permanecerão fechados.




