UFMT ainda deve R$ 5 milhões à Energisa

Reitora diz que consumo de energia elétrica triplicou em 5 anos de expansão dos campi

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A liberação de R$ 1,8 milhão do Ministério da Educação (MEC) só foi suficiente para a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pagar uma conta atrasada e uma prestação – de R$ 300 mil – de outra dívida que havia sido parcelada com a Energisa.

A instituição ainda deve R$ 5 milhões para a concessionária. Para quitar parte do restante desse débito, reivindica a liberação de mais R$ 2,7 milhões, inclusos no total de R$ 4,5 milhões autorizados pelo MEC na quinta-feira passada (11).

“Nesse momento, a gente tem a dívida de R$ 5 milhões renegociada até outubro de 2020, que é quando acaba o meu mandato”, afirmou a reitora Myriam Serra, segundo quem o acordo foi feito em maio deste ano.

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (17), a reitora afirmou que a UFMT triplicou o consumo de energia nos últimos cinco anos. Em 2014, a despesa somava R$ 7 milhões ao ano. Em 2019, a previsão é que sejam gastos R$ 21 milhões.

“2016 foi o nosso primeiro ano de dificuldade, que só vem crescendo. Crescendo, porque a universidade se expandiu em todos os campi, em termos obras, equipamentos, pesquisa, além da tarifa doméstica, que aumenta todo ano. Nós estamos utilizando muito mais energia”, ela disse.

De acordo com a reitora, a UFMT começou a pagar a conta de energia com atrasos e juros em 2016; a primeira negociação da dívida com a Energisa foi feita em março de 2018. “Com os cortes e contingenciamento, chegamos em novembro em dezembro sem conseguir pagar. Esse ano [2019], fizemos a segunda renegociação”.

Ainda conforme a reitora, para amenizar os efeitos da expansão e do gasto de energia, a UFMT já trabalha com medidas paliativas de eficiência energética com participação acadêmica. Uma das alternativas é a implantação do sistema de energia solar.

“Mesmo assim, a gente já sabe que vai precisar de R$ 5 a R$ 8 milhões para instalar as placas. Temos buscado apoio e financiamento, mas só encontramos meios para financiamento de pessoas físicas”, afirma Myriam Serra.

Reitora Myriam Serra luta para desbloquear parte do orçamento da UFMT (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Orçamento bloqueado e sem data

Conforme representantes da UFMT vêm anunciando, o orçamento de 2019 está previsto em 80% do valor total que a UFMT vinha trabalhando. Destes, 40% já foram repassados pelo Ministério da Educação (MEC). A outra parte só deve ser recebida no próximo semestre.

“Esse ano, o governo sinalizou que iria centralizar 40% do orçamento no primeiro semestre e outros 40% no segundo. Nós estamos aguardando. Mas isso implica ainda que faltará 20% do orçamento. Assim, a UFMT vive seu ano mais difícil. O último ano que recebemos 100% do orçamento foi em 2017. Em 2018, já chegou só 95%”, explicou Myriam Serra.

“Além disso, até o ano passado, nós tínhamos mais ou menos uma data e o dia da semana que o dinheiro chegava. Esse ano não temos previsão alguma. Não sabemos quanto nem quando o dinheiro vem, que é a data limite de pagamento. Nós só sabemos da nossa dívida”, complementou a reitora.

Além na energia

Conforme Myriam Serra, além dos R$ 5 milhões que a UFMT deve para Energisa – dívida de maior volume – a universidade ainda tem contratos a honrar, que somam aproximadamente R$ 14 milhões, valor do déficit de 2019.

“Ainda temos um saldo [dos R$ 4,5 milhões enviados pelo MEC] queremos que seja liberado com a mesma urgência, porque há outros fornecedores em atraso. Hoje, a UFMT tem mais de 90 contratos e é muito difícil estimar um total dessa dívida. São contratos de pessoal de limpeza, segurança, administrativo, que são menores, mas também estão em atraso”, explicou.

Myriam Serra reivindica ainda o desbloqueio do orçamento total da UFMT. Segundo a reitora, mesmo após o anuncio de desbloqueio dos R$ 34 milhões – resultantes do contigenciamento de 30% do orçamento, anunciado em maio – esse valor ainda estaria contingenciado.

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