Juca do Guaraná e mais oito vereadores têm parentes contratados como indicação política

Documento extra protocolado pelo Ministério Público mostra que filha, esposa e irmãos receberam prêmio-saúde, mesmo em outras secretarias

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Juca da Guaraná (MDB), e outros oito vereadores teriam parentes contratados por secretarias da prefeitura como retribuição de apoio político ao prefeito afastado Emanuel Pinheiro (MDB). 

O parentesco dos vereadores com os beneficiados vai de esposa a filhos, passando por irmãos. E todos teriam recebido a gratificação prêmio-saúde, mesmo quando não estavam lotados na Secretaria de Saúde.  

Os nomes estão em apenso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE) no processo em andamento na Turma de Câmaras Criminais Reunidas, que investiga o prefeito, a primeira-dama Márcia Pinheiro e o chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto, por supostas contratações irregulares. 

A novidade no documento extra do MP são as autorizações de contratos de emprego para outras secretarias. 

Conforme o documento, Juca do Guaraná conseguiu vaga de emprego para seus irmãos Ernesto Manoel Barbosa e Luis Barbosa na Secretaria de Ordem Pública e Defesa Civil.  

O primeiro teria salário de R$ 5,9 mil e receberia valor igual em prêmio-saúde. O mesmo aconteceria com o segundo, cujos salário e gratificação são de R$ 2,1 mil. 

O líder do governo na Câmara, Mario Nadaf (PV), conseguiu emprego para a esposa, Kelly Sabrina Viera Lima, na Secretaria de Gestão, com salário de R$ 5,7 mil e prêmio-saúde também.

Vereador Mario Nadaf, do PV, está na lista do Ministério Público.(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O hoje secretário de Gestão, Luis Cláudio de Castro Sodré (Progressista) conseguiu a contratação de sua esposa, Leonora Isabel Tonon Sodré, na Secretaria de Saúde. Conforme o Ministério Público, o contrato era temporário com salário de R$ 2,5 mil e prêmio-saúde de R$ 4,5 mil. 

O atual secretário de Gestão Luis Cláudio de Castro Sodré (Progressista) teria indicado a esposa. (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Veja outros vereadores com parentes contratados: 

  • Demilson Nogueira (PP) – esposa, Luestania Nogueira, contratada para a Empresa Cuiabana de Saúde Pública. Salário: R$ 12,4 mil.
  • Kássio Eduardo Coelho (Patriotas) – esposa, Claudiane Almeida de Souza, contratada para Secretaria de Saúde. Salário: R$ 2,1 mil; prêmio-saúde: R$ 2,1 mil
  • Luiz Fernando Guimarães Amorim (Republicados) – irmão, Fábio Luiz Guimarães Amorim, contratado para a Secretaria de Gestão. Salário: R$ 5,3 mil; prêmio-saúde: R$ 5,3 mil
  • Joelson Fernandes do Amaral (SD) – irmã, Rosenil Fernandes do Amaral, contratada para Secretaria de Planejamento. Salário: R$ 1,6 mil; prêmio-saúde: R$ 1,6 mil
  • Juarez Pereira Vidal (PROS) – filha, Lannuzi Alves Vidal Montenegro, contratada para a Secretaria de Gestão. Salário: R$ 1,6 mil; prêmio-saúde: R$ 1,6 mil
  • Paulo Henrique de Figueiredo (PV) – filha, Vanessa Patrícia de Figueiredo, contratada para a Secretaria de Gestão. Salário: R$ 1,6 mil; prêmio-saúde: R$ 1,6 mil 

O dizem os vereadores? 

O Livre entrou em contato, por chamada telefônica e mensagem, com todos os vereadores citados no documento do Ministério Público. Até o momento há resposta de Juca do Guaraná, Paulo Henrique de Figueiredo e Kássio Eduardo Coelho.

O presidente da Câmara afirmou que os parentes empregados em órgãos públicos estão no cargo desde o início de sua carreira como vereador, há nove anos. As contratações teriam passado por outras gestões, como a Mauro Mendes. 

“Não é de agora que eles estão lá, já faz nove anos. Eu não vejo problema nenhum”, disse.

Sargento Vidal disse que indicou a filha para uma vaga na Secretaria de Gestão no início da pandemia, quanto a atividade profissional dela ficou paralisada por decreto de isolamento social. 

Porém, segundo ele, a demissão foi apresentada poucos dias após ele saber que a indicação poderia caracterizar nepotismo cruzado. “O Ministério Público precisa buscar também se a pessoa continua no cargo. A minha filha não trabalha mais na prefeitura”, disse. 

Kássio Eduardo Coelho disse que pediu para esposa deixar o cargo no início da polêmica sobre contratações políticas, mas ela não teria aceitado a exoneração. “Vou cobrar ela de novo e por mim ela nem volta mais à tarde”, afirmou. 

Os demais vereadores não atenderam a chamada nem responderam às mensagens. O espaço continua aberto para a manifestação.

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