A iniciativa de empresas privadas – por vezes “estimuladas” pela Justiça do Trabalho – de aplicar testes para covid-19 em seus funcionários pode contribuir para o controle da pandemia em Mato Grosso, enquanto autoridades públicas não decidem adotar essa estratégia defendida por inúmeros especialistas.
Só a mineradora Nexa, por exemplo, pode tornar Aripuanã – cidade localizada a 1,2 mil quilômetros de Cuiabá – um dos territórios com maior percentual de testagem no Brasil.
É que de acordo com a Our World In Data, publicação especializada em expor pesquisas e dados analíticos sobre mudanças nas condições de qualidade de vida ao redor do mundo, até início de junho, a média de testagem para covid-19 no Brasil foi de 2,28 pessoas para cada grupo de mil habitantes.
Considerando a projeção atual de 22 mil residentes em Aripuanã, a Nexa sozinha deve aplicar testes em 91 pessoas para cada grupo de mil. Uma média bastante superior à nacional.
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Atualmente, mais de 1,8 mil profissionais compõem a mão de obra que ergue o principal empreendimento da Nexa em Mato Grosso.
Com todos eles testados para a covid-19, a empresa colabora, por exemplo, para a detecção de casos assintomáticos da doença. Uma ação que possibilita o isolamento social não só do funcionário eventualmente diagnosticado, mas de todos que tenham tido contato com ele.
“Na prática, vamos testar periodicamente cerca de 10% dos atuais residentes de Aripuanã. Seguiremos com os testes rápidos durante três meses, quando reavaliaremos a necessidade de continuarmos com a estratégia”, diz Rodrigo Fonseca, gerente geral de Mineração do Projeto Aripuanã.
A testagem em massa foi devidamente pactuada com as autoridades, dentre elas, o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Vigilância Sanitária e a Prefeitura de Aripuanã.
Frigorífico

Por meio de um acordo com Ministério Público do Trabalho, a Marfrig também deve fazer testes de covid-19 em 100% de seus colaboradores. Ao todo, são 18 mil funcionários em todo o Brasil.
A empresa, que processa carne bovina, tem quatro plantas em Mato Grosso e, em uma delas, – localizada em Várzea Grande – cerca de 25 trabalhadores tiveram a doença. Uma pessoa morreu vítima do novo coronavírus.
No município, localizado na região metropolitana de Cuiabá, três mil funcionários do frigorífico já passaram pelos testes.
A testagem dos colaboradores da Marfrig que atuam nas demais 11 unidades localizadas no Brasil, seguirá um cronograma pré-estabelecido pela empresa.




