Fé que supera a pandemia: devotos se preparam para os festejos de São Benedito

Missas online e comida no sistema drive thru fazem parte da programação em tempos de covid-19

O Bendito Almoço ocorre na Igreja São Benedito, no domingo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Tudo igual e, ao mesmo tempo, tudo diferente. Assim os preparativos para a tradicional Festa de São Benedito, em Cuiabá, estão se desenrolando. A previsão é que a festa aconteça nos dias 7, 8, 9 e 10 de outubro, porém sem os famosos shows populares, que promoviam grande aglomeração. A receita será menos palcos e holofotes e mais fé.

As tradicionais missas, que começam às 5h, serão celebradas em ambiente campal, ou seja, do lado de fora da paróquia. A princípio, a ideia é disponibilizar 800 cadeiras com o devido distanciamento, mas não há como dar sequer um “chute” de quantas serão ocupadas, afirma a rainha da festa, Cely Coelho.

“Seguindo a tradição, nossa festa deveria iniciar no dia 4 de julho, mas foi adiada. Mesmo assim, no dia programado, houve uma cerimônia especial em homenagem ao santo e muitas pessoas ficaram do lado de fora da igreja. Acho que mais de 300 pessoas apareceram, sem que houvesse qualquer propaganda”, relatou Cely.

O público presente deixou claro a fortaleza da tradição e que, mesmo sem a parte de entretenimento, os festejos não seriam deixados de lado pelo povo cuiabano.

Seu Manoel segurando imagem de São Benedito, seu santo de devoção (Antônio Siqueira/Rosário Oeste 2017)

Eu vi no Youtube

As missas matinais e demais programações, como o levantamento do mastro, que marca o início dos festejos, serão transmitidas em ambiente online pelo canal da paróquia. A expectativa é que milhares de pessoas estejam em oração via internet nos dias de festa.

“Quem não pode vir deve acompanhar de casa. Estaremos conectados não apenas pela internet como também pela fé. Nossas orações terão a mesma força”, explica Cely.

Segundo a rainha da festa, a força da devoção e das graças de São Benedito ao povo cuiabano nem sempre são expressas pessoalmente, desde que a pandemia começou. São inúmeros os pedidos de oração, em agradecimento de graças, bem como os testemunhos.

Esta semana, por exemplo, uma fiel pediu para que a história dela fosse compartilhada na missa. Segundo a mulher, ela obteve a cura de uma doença na coluna e de um câncer por intervenção de São Benedito.

Movimento da cozinha da paróquia antes da pandemia, quando as equipes estavam completas. Foto: Lidiane Barros

Devoção

Histórias como essa se multiplicam e, muitas vezes, acabam materializadas por fotos e objetos que são deixados na igreja. A própria Cely, hoje rainha da festa, é a prova viva da ação do santo.

Ela conta que tinha 6 anos e um muro caiu sobre ela, a deixando muito machucada e com a mobilidade comprometida. A situação deixou toda família angustiada. A mãe dela, que era devota, levava a filha nos braços para igreja todos os dias de manhã, como promessa pela cura, que não demorou a vir.

Na vida adulta, Cely se casou e o marido dela também tem a tradição de devoção pelo santo. Assim, ela se aproximou ativamente das atividades da igreja e, hoje, assumiu a função de rainha da festa.

Foto: Suellen Pessetto/O LIVRE

Uma festa feita por todos

Cely conta que a paróquia já começou a aceitar doações para a festa e também para o jantar com o santo, que acontece tradicionalmente na terça-feira, após a missa devocional. O cardápio é o de sempre e esperado com ansiedade pelos devotos: Maria Izabel, feijão empamonado e farofa de banana.

Mas, desta vez, nada de comer no local, as vendas serão apenas no sistema pague e leve e drive thru. Ou seja, as famílias não vão para igreja jantar com o santo, mas o santo vai até a casa delas participar do jantar.

“Toda comida é doada. Cada um dá o que pode. Tem gente que chega com caixas de banana, outros fazem transferências bancárias e tem gente que chega com um monte de moeda, que junto ao longo do ano”, narra Cely.

Saudades na cozinha

Este ano, a contragosto, a cozinha rejuvenesceu e se esvaziou. O motivo foi a suspensão temporária das cozinheiras mais velhas, por conta da pandemia. Cely diz que elas estão esperançosas de que, no próximo ano, tudo voltará ao normal e elas poderão retornar às atividades da igreja.

Para este ano, além da redução do pessoal, também haverá uma redução na quantidade de comida. Antes, eram cerca de 40 panelas de comida, sendo que cada uma delas alimentava 100 pessoas. Agora, estima-se a oferta de cerca de 1 mil pratos.

Contudo, Cely garante que as mudanças não vão alterar o tempero e nem o carinho colocado em cada uma das refeições entregues.

O santo da fartura e caridade

Além da festa, a paróquia continua a fazer o trabalho de caridade e doação de alimentos às pessoas da comunidade, que passam por situação de vulnerabilidade. A ação é uma das formas de se atender uma das principais características de São Benedito, a doação a quem precisa.

Durante a vida, São Benedito, que trabalhava na cozinha do convento, costumava pegar a comida da igreja e distribuir para os pobres. Conta a lenda que, um dia, um padre o surpreendeu com as sacolas e pediu para ver o que tinha no interior.

Porém, a tentativa de fiscalização foi frustrada por um milagre. Quando São Benedito abriu a sacola, a comida havia se transformado em flores.

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