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Doleiro nega nomes e sugere que deputados de MT busquem o FBI

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Laura Nabuco

A principal pergunta que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Sonegação Fiscal instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso fez ao economista e delator da Lava Jato Lúcio Funaro não foi respondida.

Quando questionado diretamente quais agentes públicos e políticos mato-grossenses estavam envolvidos em esquemas de corrupção dos quais ele tem conhecimento, Funaro disse que a resposta estava em trecho de sua delação premiada que ainda está sob segredo de Justiça.

Funaro orientou os parlamentares então, a pedirem um compartilhamento de provas ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mais que isso, sugeriu que os deputados estaduais entreguem o que já têm ao FBI, a polícia federal americana.

Segundo Funaro, essa seria uma estratégia para o trabalho de investigação da ALMT surtir o efeito desejado. Citou como exemplo o caso da CPI do Banestado, que teria começado a colher frutos depois que o governo americano bloqueou contas, em bancos americanos, de brasileiros envolvidos em corrupção.

Listão

Sobre os nomes dos mato-grossenses supostamente corruptos, Funaro disse que tinha acesso ao que chamou de “listão” de políticos que receberam dinheiro da JBS para bancar despesas das mais diversas. Elas iam de dívidas de campanha a compras em supermercados, conforme ele.

Afirmou também que ele próprio tinha uma “linha de crédito” de R$ 30 milhões concedida pelo ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha. Dinheiro que estava autorizado a doar para para deputados que “interessavam” o ex-parlamentar.

Sinceridade

Os deputados mato-grossenses também quiseram saber de Funaro – que já esteve envolvido em outros esquemas sobre quais firmou acordos de colaboração com a Justiça – se ele acreditava que o ex-governador Silval Barbosa pode ter omitido algo ao delatar a corrupção em Mato Grosso.

Funaro disse crer que não. Justificando que Silval passou uma situação semelhante a sua, em que não só ele, mas seus familiares acabaram presos e acusados, disse que apostaria que o ex-governador depôs de “coração aberto”.

“Uma coisa é quando a gente tem problemas pessoais ou relacionais a negócios que nós fizemos. Outra coisa é quando envolvem membros da sua família”, disse.

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