Lúcio Funaro diz que havia frigoríficos com “incentivos não-republicanos” em MT

Governo do Estado impunha percentuais diferentes de benefícios fiscais em relação a empresas de mesmo ramo

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O doleiro Lúcio Funaro disse há pouco, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação Fiscal instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que o Governo do Estado impunha percentuais diferentes de benefícios fiscais em relação a empresas de mesmo ramo – como seria o caso de frigoríficos.

O depoimento de Funaro é a portas fechadas, mas o LIVRE teve acesso a vários trechos do que o doleiro disse aos deputados.

“Tenho conhecimento de que houve liberação de incentivos fiscais para várias empresas, com percentuais diferentes”, disse o doleiro, complementando que só poderia dizer quais foram “republicanos” e quais não foram se tiver acesso às plantas dos frigoríficos. “Tenho experiência de 25 anos no mercado financeiro”.

Funaro disse que o frigorífico Bertin foi um dos escolhidos pelo ex-presidente Lula para ser uma das empresas brasileiras “eleitas” para receber recursos do BNDES e outros benefícios do governo federal. Com a crise econômica de 2008 o Grupo Bertin ficou fragilizado e o Grupo JBS, percebendo isso, tomou financiamentos para adquirir plantas frigoríficas e inclusive o próprio Bertin.

Segundo Funaro, o empresário Joesley Batista pegou R$ 12 bilhões do BNDES para comprar o Grupo Bertin, mas a família da empresa adquirida ficou com cerca de R$ 700 milhões apenas. “A maior parte ficou com o próprio Joesley”.

Questionado pelo deputado estadual Wilson Santos sobre a ilicitude ou não de tais negócios, o doleiro disse que houve o pagamento de propina com dinheiro de financiamentos públicos.

“A partir do momento em que um empresário pega recursos públicos para pagar propina, fechar concorrentes, tentar implantar monopólio num país do tamanho do Brasil – que tem no agronegócio uma de suas potências – eu acho isso um verdadeiro absurdo”, disse Funaro.

Na época a que o doleiro se refere, inúmeros pequenos e médios frigoríficos de Mato Grosso foram ou adquiridos pela JBS ou tiveram que fechar suas portas por não conseguiram concorrer com a empresa que virou uma gigante mundial no setor de carnes.

Economista e doleiro, Lúcio Funaro ficou conhecido no Brasil por envolvimento em diversos escândalos de corrupção. Entre os mais emblemáticos, o do Mensalão, em 2005, e a Lava Jato.

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