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De Cuiabá para a floresta da Tijuca: jabutis do Zoológico da UFMT voltam para casa

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Eles “trabalham” na distribuição de sementes pela mata e há mais de 200 anos não eram vistos pela Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Na quinta-feira (16), voltaram à região depois de uma (para essa espécie de vida tão longa) breve estadia em Cuiabá.

São 28 jabutis-tinga, antigos moradores do Zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), fechado para visitação em 2016 e definitivamente desativado no ano passado.

Agora, são terceira espécie a ser reintroduzida no Parque Nacional da Tijuca pelo projeto Refauna, uma iniciativa da UFRRJ e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), desenvolvida em conjunto com outras instituições de ensino.

A repovoação do parque começou em 2010, com as cutias e, em 2015, foi a vez dos bugios (macacos de médio porte).

“O objetivo principal desse projeto é reconstituir a fauna que houve um dia nessa floresta. O que estamos fazendo é como se fosse um quebra-cabeça, [estudando] quais são as pecinhas que estão faltando aqui e que podem ser restabelecidas”, explicou a professora Alexandra dos Santos Pires, integrante do Refauna.

Um novo lar

Os 28 jabutis-tinga “cuiabanos” chegaram no Rio de Janeiro e passaram por uma série de exames. Parte deles também ficou os últimos seis meses em uma área delimitada pelos pesquisadores na própria floresta. Para se acostumarem de novo com seu habitat natural.

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Na mata, todos serão monitorados. Para que o acompanhamento possa ser feito, tiveram um radiotransmissor fixado no casco.

“Cada um tem uma frequência única, para não confundirmos um animal com outro. Sei exatamente o animal que estou monitorando e, com o rádio receptor, chego até o animal, sei o que está fazendo, se está vivo ou se veio a óbito, se está se reproduzindo, se está se alimentando e o que está comendo”, disse o biólogo da UFRJ Marcelo Rheingantz.

Um novo propósito

Segundo pesquisadores, o jabuti-tinga tem importante papel na dispersão de sementes (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Segundo a professora Alexandra, os jabutis têm um papel importante na dispersão de sementes. Caminhando, eles pisoteiam plantas que têm mais facilidade de se estabelecer e acabam impedindo o crescimento de outras espécies.

Além disso, comem sementes grandes quase sem mastigá-las. Quando defecam, levam as sementes para novas áreas e ajudam no processo de germinação.

“Sementes grandes são características das espécies maiores da floresta, que são as mais ameaçadas. O jabuti leva essas sementes para longe da área onde encontrou o fruto, permitindo que essas plantas se estabeleçam”.

E novos vizinhos

Agora, o Refauna vai fazer também um trabalho de conscientização das comunidades vizinhas à área do Parque Nacional da Tijuca. É que, entre os motivos do desaparecimento deles na região, está a caça.

As orientações do Refauna são: não mexer com os animais, alimentá-los e nem retirá-los do local.

Jabutis de outras espécies ou mesmo outros tingas também não são permitidos por lá.

E se você estiver no parque, tem que trafegar dentro da velocidade permitida nas vias internas ou que circundam a área, assim, eles podem atravessar tranquilamente.

E a próxima espécie a ser reintroduzida no Parque Nacional da Tijuca será a arara-canindé.

“Apesar de a floresta estar aqui, existem muitas espécies que precisam ser favorecidas. Espécies características de estágios mais maduros. É uma floresta que ainda precisa caminhar para a frente e o jabuti, mesmo caminhando lentamente, vai ajudar nesse processo de desenvolvimento”, disse Alexandra.

(Com informações da Agência Brasil)

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25 de abril de 2026 07:13