Cidades da região do Pantanal já sofrem com a estiagem

Abastecimento tem sido por caminhões-pipa em algumas comunidades porque poços artesianos e rios não recuperaram o volume esperado

As chuvas não chegaram a contento e levaram os municípios da região do Pantanal mato-grossense a uma “seca prolongada”, que teve início ainda no ano passado. Em Poconé (95 km de Cuiabá), por exemplo, muitas áreas rurais têm como fonte de abastecimento de água os caminhões-pipa fornecidos pela prefeitura.

Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Danielle Assis Carvalho, a situação é preocupante, principalmente, porque o rio Bento Gomes, principal fonte de abastecimento da cidade, não conseguiu se recuperar da seca de 2020.

Atualmente, a régua que mede a quantidade de água está em 1,48 metro, menos da metade do costume para este período, que é de aproximadamente 3,5 metros.

Áreas não alagaram como o habitual para o período. Foto por: Christiano Antonucci/Secom-MT

Outra preocupação é com relação ao índice de redução semanal que, de acordo com o acompanhamento da concessionária de água da cidade, chega a 2 centímetros por semana.

A secretária lembra que alguns investimentos foram feitos para tentar amenizar o dano, como a construção de novos poços artesianos e a ampliação dos existentes nos distritos rurais, muitos deles sequer conseguiram retomar o volume habitual para o período.

Em algumas comunidades, mesmo com as chuvas, a presença dos caminhões-pipa continuou sendo vital. Eles iam com frequência de uma vez por semana e, agora, com o fim das precipitações, estão indo duas vezes.

Municípios empobrecidos

Os municípios da região do Pantanal estão em busca de auxílio dos governos Federal e Estadual, contudo ainda não tiveram um retorno concreto.

Em Poconé, houve a tentativa de se conseguir dinheiro para investir na prevenção, mas sem sucesso.

“Tentamos pedir recursos para atuar na prevenção com o governo federal, mas eles só têm recursos para atuar com a resposta (efeitos da seca)”, relata a secretária de Meio Ambiente da Cidade.

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A mesma atitude foi tomada em Barão de Melgaço (125 km de Cuiabá). Lá, a prefeita Margareth Gonçalves (PSDB) conta que a cidade foi empobrecida ao longo dos anos porque a atenção dos governos se voltou para o Norte do Estado.

Então, hoje, a região tenta fortalecer o Turismo e a agricultura tradicional, mas é um processo demorado e não atende as demandas trazidas pela seca, que são urgentes.

“Estamos em busca de ajuda porque temos a preocupação com abastecimento de água, queimadas e não temos dinheiros para investir em maquinários, necessários para se fazer aceiros (barreira de combate ao fogo) e nem caminhões-pipa”, afirma Gonçalves.

A prefeita argumenta ainda que, este ano, o Pantanal não alagou como o normal, o que torna a situação ainda mais difícil.

Queimadas

Poconé é um dos 15 municípios que estão na região do Pantanal Mato-grossense e, no ano passado, foi um dos pontos afetados pelos incêndios florestais que consumiram 40% do bioma.

A cidade teve escassez de água e foi tomada pela fumaça na área urbana. Já na área rural, o fogo ameaçou as propriedade e os animais de maneira assombrosa, como foi evidenciado pelos veículos de comunicação.

Para este ano, o Município, segundo a secretária Danielle Assim, está fortalecendo a parceria com o Corpo de Bombeiros e vai oferecer oito brigadistas para ajudar no combate às chamas.

“Queremos tentar dar uma resposta aos focos mais ágil e, assim, evitar que saiam do controle, como vivenciamos no ano passado”, afirmou.

Em Barão de Melgaço, a gestão também tenta firmar algum tipo de convênio que contribua com o combate, que é tido como iminente.

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1 COMENTÁRIO

  1. É engraçado uma cidade como Poconé falar de investimento em prevenção, se a própria Secretaria de Meio Ambiente não tem controle da exploração mineral. Poconé a cada dia são montanhas que nascem da perfuração do solo por garimpos que só exploram e nada deixam de benefício para cidade com o discurso de que gera renda… Pergunto: Gera renda destruindo os nossos mananciais de água? Tem buraco que ultrapassa os 100 metros abaixo do nível do solo destruindo todos os lençóis que abasteciam o rio… Ninguém faz nada, mas com certeza alguns poucos ganham alguma coisa pra fazer vistas grossas

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