As pessoas estão em retirada do Centro Histórico de Cuiabá. Moradores e empresários estão forçados a deixa os imóveis pela crescente insegurança na região. E boa parte deles passou por alguma experiência de violência.
“Somente pessoas que estão no Centro Histórico há muito tempo já se habituaram com a situação. De certa forma, entrou num status quo com usuários de drogas e outras pessoas se concentram na região, que virou um reduto. Infelizmente”, diz o presidente do Sindicato de Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), Marcos Pessoz.
O empresário diz que o problema é de longo tempo e tem agravado nos últimos anos. No estágio atual manter a ocupação dos imóveis é cada vez mais difícil. As placas de aluguel estão espalhadas pelos prédios e o interessado é atraído pelo preço abaixo do mercado (um efeito da situação). Mas é questão de tempo para o pedido de renegociação.

“Os aluguéis estão sendo negociados, em média, até 50% abaixo do preço que o imóvel valeria. E, mesmo assim, depois de um ano o locador pede para renegociar o contrato e deixa o imóvel”, conta.
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O motivo reclamado é a insegurança. Conforme Marcos Pessoz, é comum que os desistentes tenham passado por algum tipo de agressão, seja de invasão ao imóvel, de confronto na rua ou assalto a conhecidos e funcionários. Esse leque de violência acaba servindo de gatilho para contagem regressiva de saída do Centro.
Daí adiante, o empresário afirma que os imóveis fechados viram chamariz para a invasão de usuários de drogas. “Dá para contar os dedos de uma mão o tempo que os imóveis ficam fechados até a depredação, uma invasão quase imediata à saída das pessoas do local”, pontua.
O Secovi diz que não possui um levantamento de quantos imóveis estão disponíveis para aluguel no Centro Histórico, mas confirma que é uma opção mais frequente e mais difícil de negociação.