Alunos ocupam escola Nilo Póvoas para protestar contra fechamento

Ação começou no final da tarde de segunda-feira (10) e não tem prazo para acabar

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mais da metade dos alunos da quase extinta Escola Estadual Nilo Póvoas está ocupando a unidade desde segunda-feira (10), às 16h. Segundo o grupo, a ação seguirá por tempo indeterminado. Eles não aceitam a decisão da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que informou o fechamento da escola devido à falta de alunos no começo do ano.

O grupo, hoje formado por 65 dos 150 alunos matriculados, quer que as portas continuem abertas e alega que o governo não considerou o fato de a unidade ser plena, ou seja, com ensino integral.

“É lógico que o número será reduzido porque os estudantes ficam os dois turnos. Não há as matrícula do vespertino”, destaca um dos manifestantes.

Eles justificam ainda que as salas não estão subutilizadas, já que a escola Barão de Melgaço – com sede em reforma – e a Nova Chance – para regressos do sistema prisional – também ocupam o prédio.

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Esta é a segunda vez que os alunos ocupam a escola, a primeira foi em 2016 (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Rotina

Alguns professores que chegaram para trabalhar na manhã desta terça-feira (11) foram surpreendidos pelos protestos e impedidos de entrar. Os portões foram liberados apenas para os pais dos alunos.

Dentro da escola, os estudantes criaram uma rotina, que inclui o preparo da alimentação e uma série de atividades, entre elas debates, rodas de conversa, jogos e atividades culturais.

Um dos representantes informou que, caso o protesto se alongue, eles pretendem chamar artistas e especialistas para enriquecer as discussões sobre acesso à universidade, forma de capitação de recursos para unidade públicas de ensino e formação política.

Esta não é a primeira vez que os estudantes da escola fazem este tipo de ação. Em 2016, eles ocuparam o prédio para protestar contra a proposta de entregar a gestão da escola para uma Parceria Público Privada.

Naquela ocasião, obtiveram êxito.

Negociações

O estudantes falam que já tentaram negociar com a secretaria em várias ocasiões e, em um protesto realizado na sede do órgão, sequer foram recebidos pela titular da pasta, Marioneide Angélica Kliemaschewsk.

Depois da invasão, eles foram procurados por técnicos da Educação e afirmam que, em um primeiro momento, foram ameaçados, mas como não desistiram do posicionamento, a conversa passou a ser mais amigável.

Na tarde de ontem ainda, representantes do governo propuseram uma reunião com a secretária, mas só para o dia 19 de fevereiro e desde que fosse feita a desocupação da unidade.

“Não sairemos enquanto ela não vir aqui e nos ouvir”, afirmam os ocupantes.

O LIVRE esteve no local hoje pela manhã e os estudante nos concederam entrevista desde que o nome deles não fosse divulgado.

O que diz o governo do Estado?

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou, por meio de nota, que não pretende rever a decisão sobre o fechamento da escola.

Leia nota na íntegra:

Em relação às ações promovidas por um grupo de alunos no prédio da Escola Estadual Nilo Póvoas, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informa que:

– A decisão tomada continua, pois o objetivo é transformar o prédio no Centro de Referência em Educação Inclusiva Nilo Póvoas, uma ação estratégica de gestão, com foco na melhor ocupação dos prédios públicos escolares e aplicação dos recursos;

– Enquanto instituição, a escola Nilo Póvoas está inserida no planejamento da Seduc que é o redimensionamento e reordenamento escolar. A escola possui, atualmente, 126 alunos matriculados do 1º ao 3º ano do Ensino Médio Integral, dos quais 32 finalizaram o 3º ano no dia 10 de março de 2020 e 94 alunos permanecerão nos 1º e 2º anos. Esses alunos têm a opção de serem remanejados, sem prejuízo pedagógico, para a escola Antônio Epaminondas, localizada no bairro Lixeira, ou outra unidade educacional que também atende em tempo integral, entre elas a EE José de Mesquita, no bairro Porto, EE Padre João Panarotto, bairro CPA IV, ou Professor Rafael Rueda, bairro Pedra 90, que também atendem em período integral;

– os profissionais efetivos da EE Nilo Póvoas também não terão nenhum prejuízo, visto que que já estão sendo direcionados para a EE Antônio Epaminondas e os temporários já fizeram a opção para atuar em outras unidades educacionais;

– O prédio que abriga a Escola Nilo Póvoas possui 18 salas de aula e capacidade para atender 1.600 alunos em três turnos ou 1.080 alunos no período diurno, no entanto, finalizou o ano letivo com 126 alunos;

– A Seduc informa ainda que constituiu uma comissão de acompanhamento e orientação, conforme Portaria 022/2020, para orientar a unidade escolar no processo de desativação da escola.

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