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Nomeado pela ALMT como fiscal de contrato já foi preso pela Lava Jato

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Orlando Morais

Designado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) como fiscal do contrato de quase R$ 1 milhão com a BC Construtora, o ex-diretor financeiro da Eletronuclear Edno Negrini chegou a ser preso preventivamente pela Lava-Jato e ficou no presídio de Bangu 8, no Rio de Janeiro, em 2017.

Negrini foi acusado de integrar organização criminosa para praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em obras da Usina Nuclear de Angra 3. Alvo da Polícia Federal (PF), o agora fiscal de contrato foi preso durante ações da Operação Pripyat, desdobramento da Lava Jato no Rio.

Apesar de acusado de prática de crimes por três investigados nesse caso, que firmaram delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), Negrini acabou absolvido no processo criminal pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que considerou não haver provas documentais suficientes para incriminar o atual fiscal de obra da Assembleia mato-grossense.

Na Assembleia de Mato Grosso, o fiscal é uma figura-chave na execução dos contratos firmados com fornecedores.

Segundo ato nº. 102/2019, da Superintendência de Contratos, publicado no Diário Oficial de Mato Grosso em 22 de março deste ano, “caberá aos fiscais de contratos [da Assembleia mato-grossense] acompanhar, fiscalizar e avaliar a execução dos contratos sob a sua responsabilidade”.

O Ato foi assinado pelo presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM), e pelo então primeiro-secretário e hoje conselheiro do TCE-MT, Guilherme Maluf.

Três delações

Edno Negrini foi citado nas delações premiadas de três executivos da Andrade Gutierrez: Fernando Carvalho, Lauro Tiradentes e Gustavo Botelho.

A empreiteira esteve no epicentro das investigações do Petrolão e o depoimento de seus colaboradores se desdobraram em dezenas de novas investigações distribuídas por outros Estados.

Os três delatores contaram que entregavam propina pessoalmente a ex-dirigentes da Eletronuclear. Tiradentes afirmou ter feito entregas de dinheiro vivo a Negrini.

Uma delas teria ocorrido em público, na calçada em frente ao Botafogo Praia Shopping, no Rio. A outra suposta encomenda de propina teria sido paga também em espécie, dentro de um carro estacionado na esquina do escritório da Andrade Gutierrez com a Rua Visconde de Ouro Preto, na Praia de Botafogo.

Outro lado

O LIVRE tentou contato com Edno Negrini, mas não obteve sucesso.

A Assessoria de Imprensa da Assembleia, por sua vez, não respondeu aos questionamentos do LIVRE feitos ainda na semana passada. Foi pedido e concedido novo prazo, mas novamente não houve resposta.

O espaço está aberto a manifestações.

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