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“Não quero acreditar em sabotagem”, diz secretário sobre proibição de festa na Arena

Foto de Julia Oviedo
Julia Oviedo

O cancelamento do Festival 300 Anos, a festa de aniversário de Cuiabá, comunicado pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) nesta quinta-feira (22), pegou muita gente de surpresa. O motivo foi o impedimento da utilização da Arena Pantanal para o megaevento programado pela Prefeitura de Cuiabá, que aconteceria entre os dias 6 e 8 de abril.

Com a recomendação do Ministério Público Estadual (MPE), o Governo de Mato Grosso decidiu voltar atrás e não liberar o espaço. A pressão da Federação Mato-grossense de Futebol, principalmente pela preocupação com o gramado do estádio, deu ainda mais força à decisão do Executivo Estadual.

As desavenças políticas entre o prefeito de Cuiabá e o governador Mauro Mendes (DEM) também poderiam ser o estopim para a proibição do espaço, mas o secretário municipal de Comunicação e Inovação, Júnior Leite, acredita que este não deveria ser o maior motivo.

“Não quero acreditar que tenha sido sabotagem de nenhuma parte. Porque isso não prejudicaria somente o Emanuel Pinheiro ou a gestão municipal, mas principalmente a população cuiabana. Foi ela a maior prejudicada”, afirmou.

Leite relembrou que a demolição do Estádio José Fragelli, o Verdão, foi para que no lugar se construísse um novo estádio multiuso, como já acontece em outros locais do Brasil, a exemplo do Allianz Parque, a arena do Palmeiras, no Maracanã e no Estádio Mineirão.

“Em todas se joga futebol, em todas se tem competições esportivas e em todas se tem shows. Se o aniversário dos 300 anos de Cuiabá não foi suficientemente convincente para se fazer um evento na Arena Pantanal, o que vai ser então?”, questionou.

O projeto

Sicom/Prefeitura de Cuiabá

A preparação para o Festival 300 anos começou há oito meses, quando ainda na gestão Pedro Taques a Prefeitura de Cuiabá protocolou um pedido de utilização da Arena Pantanal para ser o palco da festa. Desde então, servidores e empresas trabalharam no projeto com vistorias, visitas técnicas e na contratação de atrações nacionais e regionais.

Bandas como Jota Quest e o esperado encontro entre os “Amigos”, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo & Luciano e Leonardo, eram as grandes atrações oferecidas pela iniciativa. A cultura regional também seria evidenciada com a apresentação do Grupo Flor Ribeirinha, que traria aos cuiabanos o número apresentado na Turquia, onde o grupo foi premiado.

Tudo isso com a tecnologia de um palco em 360°, além de um espetáculo de projeções com painéis de LED, que recriava a história dos 300 anos de Cuiabá, em um roteiro escrito por um historiador.

Assim como os shows que já ocorreram na Orla do Rio Cuiabá, que chegaram a reunir até 60 mil pessoas em um dia, a Prefeitura de Cuiabá pretendia “repetir a dose”, tanto na expectativa de público, quanto na utilização dos recursos públicos: custo zero, já que o evento seria patrocinado por diversas empresas, algumas inclusive já parceiras do município.

Economia

Para os três dias de festa, Junior Leite estima que 3 mil empregos diretos e indiretos seriam criados e aproximadamente R$ 3 milhões seriam injetados na economia, tanto em bares, restaurantes, turismo e hotelaria.

Inclusive duas entidades que repudiaram, por meio de nota, a proibição de utilização do espaço da Arena Pantanal, foram o Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso.

Plano B

Mas se a Arena Pantanal não poderia ser utilizada, outros espaços poderiam, como sugeriu o próprio Governo do Estado, com a utilização do “Sesi Papa”. Entretanto, o secretário municipal de Comunicação explicou que não teria tempo hábil para a readequação de uma megaestrutura.

Além de diminuir as atrações, a Prefeitura de Cuiabá também teria que redimensionar o projeto, dar entrada em um novo alvará para que o evento pudesse acontecer, além de uma série de vistorias que deveriam ser realizadas.

“Mudar isso de lugar faltando duas semanas para o evento é no mínimo irresponsável, porque nós teríamos que produzir todo um novo projeto de segurança, levar os engenheiros responsáveis para vistoriar o local. Levaria no mínimo uma semana para que você adequasse o projeto ao novo local”, explicou Leite.

Por isso, Leite frisou não se tratar de um “capricho” de Pinheiro ao adotar a Arena Pantanal como palco para o evento. Mas por questões logísticas e de prazos seria “impossível”, segundo ele, fazer a festa em outro lugar.

Outro lado

A Secretaria Adjunta de Comunicação do Estado afirmou que a não utilização da Arena Pantanal segue a recomendação do Ministério Público Estadual (MPE).

De acordo com a nota emitida nesta quinta-feira (22), o problema ocorrido é que a data do evento coincide com a semifinal e final do campeonato estadual, e início dos jogos da Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol.

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Muito barulho para nada

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