CarreiraNegóciosSeleção dos EditoresTecnologia e Inovação

Pesquisa aponta que a IA pode estar sabotando seu pensamento crítico

uso de inteligência artificial no trabalho
Foto de Laura Nabuco
Laura Nabuco

Ela aumenta a eficiência, isso é quase indiscutível. Mas o uso da inteligência artificial no trabalho também está inibindo o pensamento crítico de profissionais.

Uma pesquisa conduzida pela Microsoft Research apontou que, quanto maior a confiança nas respostas da IA, maiores são as chances de profissionais do conhecimento perderem a capacidade de resolver problemas de forma independente, o que pode levar a uma superdependência dessa tecnologia.

A pesquisa foi realizada com mais de 300 profissionais de diversas ocupações, entre elas:

  • computação e matemática
  • artes, design, entretenimento, esportes e mídia
  • escritório e suporte administrativo
  • operações comerciais e financeiras
  • instrução educacional e biblioteca

Os profissionais compartilharam mais de 930 exemplos de atividades nas quais usam ferramentas de inteligência artificial. Eles próprios também avaliaram o quanto isso mudou a forma de trabalho deles. Então, os pesquisadores analisaram o impacto do uso da IA no trabalho, na execução de tarefas diárias.

Mas o que é pensamento crítico?

Os pesquisadores da Microsoft usaram um conceito que divide o pensamento crítico em 6 “habilidades” congnitivas. São elas:

  • conhecimento: lembrar de fatos e ideias
  • compreensão: demonstrar entendimento dessas ideias
  • aplicação: colocar as ideias em prática
  • análise: comparar e relacionar diferentes ideias
  • síntese: combinar ideias para criar algo novo
  • avaliação: julgar as ideias usando critérios

Como a inteligência artificial afeta a tomada de decisão?

A pesquisa apontou que os profissionais passaram a negligenciar todas essas 6 habilidades, principalmente, em duas situações:

  • quando confiavam muito na capacidade da IA de executar a tarefa
  • quando consideravam a tarefa a ser executava trivial ou insignificante

As principais mudanças de comportamento foram as seguintes:

Conhecimento e compreensão

O esforço dos profissionais deixou de ser a coleta de informações, um processo automatizado pela IA, que pode buscar e organizar dados; e passou a ser a verificação das informações, ou seja, checar se os dados fornecidos e organizados pela IA estavam corretos.

Aplicação

O esforço dos profissionais deixou de ser aplicado na tentativa de resolver problemas, uma atividade que passou a ser executada pela inteligência artificial, e passou a ser empregado na aplicação dessas soluções sugeridas pela IA.

Análise, síntese e avaliação

O esforço dos profissionais deixou de ser a execução da tarefa (transformar dados em ações, criar artefatos, estruturar métodos de avaliação de resultados) e passou a ser a gestão das tarefas desenvolvidas pela IA, ou seja, avaliar se a resposta da IA atendem aos critérios de qualidade esperados.

Qual o perigo dessa perda de pensamento crítico?

Das 6 habilidades cognitivas avaliadas, a pesquisa aponta que de avaliação foi a mais negligenciada pelos profissionais. Quanto mais eles confiavam na capacidade da IA de fornecer bons resultados, menos rigorosas se tornavam a checagem dessas respostas.

O problema disso, segundo a pesquisa, é que podemos estar abrindo mão da nossa criatividade e poder de inovação.

Além disso, deixar de exercitar nosso pensamento crítico dificulta a interação com a própria inteligência artificial, já que muitos profissionais relataram dificuldade em refinar as perguntas para obter melhores respostas dessas ferramentas.

Isso sem mencionar o efeito imediato de estarmos confiando em respostas que podem, simplesmente, estar erradas.

LEIA TAMBÉM

Notícias em primeira mão

Junte-se à nossa comunidade exclusiva no Whatsapp e seja notificado sobre os furos de reportagem e análises profundas antes de todos.

Últimas Notícias

Geral

Reaparecimento de tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara intriga pesquisadores

Fenômeno inédito documentado pelo Projeto Aruanã revela novos hábitos de espécie ameaçada de extinção em águas fluminenses
Geral

Bióloga do Inpa vence maior premiação científica do Brasil em 2026

Com quase 50 anos de dedicação à Amazônia, Maria Teresa Fernandez Piedade recebe o Prêmio Almirante Álvaro Alberto
Economia

Brasil proíbe apostas em política, esportes e reality shows em mercados preditivos

Decisão do CMN entra em vigor em maio e separa “bolsa de previsões” de jogos de azar; apenas temas econômicos seguem liberados
Economia

Imposto de Renda: Veja o que pode e o que não pode ser deduzido na declaração

Enquanto saúde não tem teto de gastos, educação possui limite de R$ 3.561,50 por pessoa; cursos de idiomas ficam de fora
27 de abril de 2026 07:41