Ela aumenta a eficiência, isso é quase indiscutível. Mas o uso da inteligência artificial no trabalho também está inibindo o pensamento crítico de profissionais.
Uma pesquisa conduzida pela Microsoft Research apontou que, quanto maior a confiança nas respostas da IA, maiores são as chances de profissionais do conhecimento perderem a capacidade de resolver problemas de forma independente, o que pode levar a uma superdependência dessa tecnologia.
A pesquisa foi realizada com mais de 300 profissionais de diversas ocupações, entre elas:
- computação e matemática
- artes, design, entretenimento, esportes e mídia
- escritório e suporte administrativo
- operações comerciais e financeiras
- instrução educacional e biblioteca
Os profissionais compartilharam mais de 930 exemplos de atividades nas quais usam ferramentas de inteligência artificial. Eles próprios também avaliaram o quanto isso mudou a forma de trabalho deles. Então, os pesquisadores analisaram o impacto do uso da IA no trabalho, na execução de tarefas diárias.
Mas o que é pensamento crítico?
Os pesquisadores da Microsoft usaram um conceito que divide o pensamento crítico em 6 “habilidades” congnitivas. São elas:
- conhecimento: lembrar de fatos e ideias
- compreensão: demonstrar entendimento dessas ideias
- aplicação: colocar as ideias em prática
- análise: comparar e relacionar diferentes ideias
- síntese: combinar ideias para criar algo novo
- avaliação: julgar as ideias usando critérios
Como a inteligência artificial afeta a tomada de decisão?
A pesquisa apontou que os profissionais passaram a negligenciar todas essas 6 habilidades, principalmente, em duas situações:
- quando confiavam muito na capacidade da IA de executar a tarefa
- quando consideravam a tarefa a ser executava trivial ou insignificante
As principais mudanças de comportamento foram as seguintes:
Conhecimento e compreensão
O esforço dos profissionais deixou de ser a coleta de informações, um processo automatizado pela IA, que pode buscar e organizar dados; e passou a ser a verificação das informações, ou seja, checar se os dados fornecidos e organizados pela IA estavam corretos.
Aplicação
O esforço dos profissionais deixou de ser aplicado na tentativa de resolver problemas, uma atividade que passou a ser executada pela inteligência artificial, e passou a ser empregado na aplicação dessas soluções sugeridas pela IA.
Análise, síntese e avaliação
O esforço dos profissionais deixou de ser a execução da tarefa (transformar dados em ações, criar artefatos, estruturar métodos de avaliação de resultados) e passou a ser a gestão das tarefas desenvolvidas pela IA, ou seja, avaliar se a resposta da IA atendem aos critérios de qualidade esperados.
Qual o perigo dessa perda de pensamento crítico?
Das 6 habilidades cognitivas avaliadas, a pesquisa aponta que de avaliação foi a mais negligenciada pelos profissionais. Quanto mais eles confiavam na capacidade da IA de fornecer bons resultados, menos rigorosas se tornavam a checagem dessas respostas.
O problema disso, segundo a pesquisa, é que podemos estar abrindo mão da nossa criatividade e poder de inovação.
Além disso, deixar de exercitar nosso pensamento crítico dificulta a interação com a própria inteligência artificial, já que muitos profissionais relataram dificuldade em refinar as perguntas para obter melhores respostas dessas ferramentas.
Isso sem mencionar o efeito imediato de estarmos confiando em respostas que podem, simplesmente, estar erradas.
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