Um negócio chamado eleição: cassação de Selma Arruda abre vagas no mercado de trabalho

De marqueteiros a motoristas, a temporada de contratações está começando. Hora de preparar o currículo

(Foto: FreePik)

Os cerca de R$ 10 milhões que a Justiça Eleitoral em Mato Grosso deve gastar com a eleição suplementar para substituir Selma Arruda (Podemos) no Senado não será o único dinheiro a circular pelo Estado por causa da cassação do mandato da ex-juíza.

A eleição fora de época já começou a movimentar também o mercado de trabalho mato-grossense. Marqueteiros, jornalistas, publicitários e advogados estão em busca daquele dinheiro que compensa pelo curto tempo de trabalho.

Normalmente, esse ganho aparece de dois em dois anos, nos períodos eleitorais. E entre os profissionais da área, é chamado de “safra”, ou seja, época de “encher o celeiro”.

Fora de época, a eleição suplementar para substituir Selma Arruda entrou no calendário com o nome de “safrinha”, aquela colheita menor, mas que também rende bons frutos.

“A safra começa em maio e junho, nos anos eleitorais. A eleição suplementar vai ser a nossa safrinha. Já começando as contratações agora em fevereiro”, diz o marqueteiro e jornalista Kleber Lima.

Os salários são combinados individualmente. E ser escolhido para a vaga depende da afinidade do profissional, não só com o candidato, mas com o marqueteiro chefe da equipe.

Segundo o jornalista e marqueteiro Kleber Lima, a temporada de contratações já está começando (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Até 40 vagas de emprego por candidato

Para o publicitário Junior Brasa, uma equipe mínima para cada candidato deve incluir cerca de 40 profissionais. São jornalistas que vão atuar como assessores de imprensa, pessoal para abastecer as mídias sociais, produtores de vídeo e marqueteiros responsáveis por pensar o projeto publicitário como um todo.

Mas não só esses. Segundo ele, como o período de campanha é mais curto, vai ser difícil para o candidato percorrer o Estado todo em busca de votos, o que pode se refletir na contratação de mais gente.

“Eles vão ter que ter pessoas nos lugares estratégicos para manter a sua imagem na mídia”, avalia Brasa, que completa: “o candidato vai precisar de uma equipe que esteja à disposição dele e outras para observar e medir a temperatura da campanha nessas cidades estratégicas”.

E mesmo com o período mais curto de campanha, a estimativa é que os candidatos tenham que gastar valores no mesmo patamar da campanha principal.

Junior Brasa estima algo em torno de R$ 1,5 milhão somente com produção de materiais de propaganda.

Antero Paes de Barros estima um custo mínimo de R$ 600 mil.

Publicitário Júnior Brasa prevê uma campanha tão cara quanto a principal, realizada em 2018 (Foto: Reprodução)

Os dois, assim como Kleber Lima, têm anos de campanhas eleitorais nos currículos. Já trabalharam nomes de peso, incluindo a própria Selma Arruda, o governador Mauro Mendes (DEM) e o deputado estadual Wilson Santos (PSDB).

Mais candidatos do que o normal

A tendência da campanha suplementar, aliás, é ter um número elevado de candidatos, outro fator que deve movimentar o mercado de empregos.

Até o momento, ao menos oito nomes já anunciaram a intenção de concorrer à vaga. E a estimativa é que esse número suba.

“Não acredito que tenhamos menos de 10 candidatos nesta eleição. Pode até ficar acima dos 11 que disputaram em 2018, chegando a 15 nomes. De qualquer forma, é um número alto e isso também é bom para o mercado”, diz Kleber Lima.

Antero Paes de Barros ainda aponta o fator espaço de divulgação para quem concorre. Na eleição principal, o tempo de propaganda no rádio e TV era dividido com candidatos a outros cargos, o que não ocorrerá na eleição programada para abril.

“Havia um suspiro de 24 horas entre as vinculações na TV e no rádio, agora não vai ter. Todo dia haverá espaço igual para todos os candidatos, ou seja, é menos tempo de campanha, mas com mais espaço na mídia”.

Marqueteiro, Antero Paes de Barros diz que, apesar de uma campanha mais curta, haverá mais espaço na mídia (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Regras a definir

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) deve anunciar nesta semana as regras para a campanha ao Senado. Elas devem incluir o limite de gasto de campanha.

Em 2018, Selma Arruda gastou R$ 2,51 por eleitor, se considerados os 678.542 votos que recebeu e somente o R$ 1,704 milhão empregado “oficialmente” ao longo da campanha. De acordo com o processo que cassou seu mandato, ela omitiu um gasto de pouco mais de R$ 1,2 milhão na declaração enviada à Justiça Eleitoral.

Jayme Campos (DEM), que teve menos votos, gastou mais. A média dele ficou em R$ 4,45 para cada um dos 490.699 votos que recebeu. A soma de gastos foi de R$ 2,187 milhões.

O teto de gastos na eleição principal, estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi de R$ 3 milhões.

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