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Temendo contágio, funcionários dos Correios começam a parar por conta própria

Foto de Lidiane Barros
Lidiane Barros

Sem qualquer alteração no expediente dos Correios, funcionários começam a interromper suas atividades por conta própria. Foi assim nesta manhã de segunda-feira (23), em Cuiabá. Eles ainda não têm equipamentos de proteção individual para manusear cartas e encomendas e temem o contágio pelo coronavírus.

Em resposta à matéria publicada pelo LIVRE no sábado (21), que apontava as condições de trabalho que envolvem eventual exposição a vetores do coronavírus (caixas e correspondências), aglomerações de pessoas e contato diário com clientes na rua, a Superintendência dos Correios em Mato Grosso emitiu nota sobre procedimentos que vêm adotando.

“Desde sexta-feira (20), a empresa passou a realizar a entrega e a coleta de malotes simultaneamente em única visita diária, para melhor aproveitamento da força de trabalho disponível na distribuição e diminuição da frequência de contato com os clientes”.

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Destinatários não precisam mais assinar

E diz ainda que foram suspensas temporariamente as assinaturas do destinatário na entrega de objetos postais e “está reforçando a importância dos empregados seguirem as orientações de prevenção”.

Sobre essas medidas, o presidente do Sindicato dos Funcionários dos Correios, Edmar Santos Leite, diz que elas não amenizam em nada a situação dos trabalhadores.

“A única novidade é desobrigar o cliente a assinar quando do recebimento das mercadorias ou correspondências registradas no geral. Eles também anunciaram a diminuição da frequência e entrega do malote, mas são procedimentos ineficazes para garantir nossa saúde e da população”.

Grupos divididos em dois turnos

Alguns carteiros, em reunião nesta manhã, decidiram não sair para a rua. Eles temem transportar carga contaminada

Segundo o sindicalista, são medidas insuficientes, já que o carteiro ainda manuseia o malote uma vez por dia, pega dos clientes e, além disso, está exposto a aglomeração dentro dos centros de tratamento das cartas e encomendas.

“Eles falam sobre rodízio, mas fizeram dois turnos, cada um com cerca de 100 pessoas. Os funcionários não querem trabalhar nessas condições e muito menos sair para a rua”.

Na nota, a Superintendência dos Correios diz que têm orientado os empregados a cuidarem da higiene e que disponibiliza álcool em gel 70% em locais próximos às estações de trabalho e que também vem intensificando procedimentos de higienização e limpeza do ambiente e dos equipamentos de trabalho.

Funcionários continuam sem EPI

Mas Edmar contesta. “Dos EPIs só falam de álcool em gel e lenço de papel, excluíram máscaras e luvas. Eles forneceram uma verba insuficiente na terça-feira passada, quando já nem se encontrava mais o álcool em gel no mercado. Enfim, não tem nada disso”.

Fora a falta de limpeza e produtos de higiene em cidades do interior, Edmar afirma que mesmo que o Correios fornecessem tudo – álcool em gel, máscaras e luvas, treinamento – ainda estariam correndo risco, já que os funcionários, ou se aglomeram nos setores internos, ou saem para a rua.

“População pode receber vírus pelo correio”

“Carregando uma encomenda ou uma carta que pode conter o vírus”. Em boa parte das vezes, segundo Edmar Santos Leite, têm sido entregues encomendas que não são essenciais.

“Já pensou se algum trabalhador contaminado manusear uma caixa que vai para você? O carteiro pode estar de máscara, de luva, você não precisar assinar para compartilhar a caneta, mas ele vai te entregar a caixa com o vírus e você, que está em casa, em isolamento, vai levar o vírus para dentro dela” alerta.

Entrega de IPTU

No fim de semana, reclama, funcionários tiveram que trabalhar – sem equipamentos de segurança – para realizar entregas de carnês de IPTU, que, até o momento, seguem aos contribuintes com pagamentos nas datas previstas.

Sem restrição de funcionamento

Na nota, os Correios afastam a possibilidade de suspenderem suas atividades, inclusive nas agências.

“Sobre as rotinas de atendimento, os Correios informam que estão em contato com os Governos Estaduais e Municipais para que suas unidades não sejam incluídas em decretos de restrição de funcionamento. Esta mediação visa a garantir o acesso da população aos serviços postais”, diz trecho da nota.

“Os Correios permanecem acompanhando e seguindo as orientações governamentais do Ministério da Saúde. Havendo novo direcionamento, a estatal ajustará de imediato as medidas preventivas e procedimentos e fará a devida divulgação ao público”.

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