Funcionários dos Correios em alerta: correspondências e encomendas podem estar contaminadas

E ainda por cima, funcionários estão trabalhando sem proteção; quando tem, é porque compraram por conta própria

(Foto: Marcelo Casall Jr / Agência Brasil}

A encomenda que chega do carteiro às suas mãos pode estar contaminada pelo coronavírus. O alerta é do presidente do Sindicato dos Correios em Mato Grosso, Edmar dos Santos Leite, que pede a suspensão das atividades. Exceto no caso do transporte de itens de saúde que, neste momento, são essenciais.

Correspondências chegam ao Estado de diversas regiões do país e principalmente, de epicentros de contaminação, como as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. “Já há estudos que indicam que o vírus pode permanecer no plástico por até 72h e no papelão, por mais de 24 horas”, alerta.

Segundo Edmar, por mais que a correspondência tenha sido postada antes deste período, é preciso refletir: “E se ela for contaminada na parte final, como a triagem ou distribuição? E se esse trabalhador estiver infectado?”.

Depois de trabalhar em grupo, carteiros e entregadores com moto ou carro saem pela cidade (Agência Brasil)

Ele explica que antes da carta ou encomenda chegar à mão do destinatário, é manuseada por um funcionário que trabalha junto há pelo menos, outras dezenas de pessoas.

“No Centro de Triagem trabalham juntos pelo menos 200 funcionários. Depois, outro grupo de 30 organiza as cargas nos centros de distribuição e então os carteiros saem para a rua. Nessa etapa, tem contato com cerca de 180 pessoas por dia”.

Atualmente há mais de 1 mil funcionários dos Correios trabalhando em todo o Estado, a maioria sem proteção.

“Acrescento à essa situação crítica o fato de que agências também estão funcionando”. Ou seja, além dos setores administrativos, de triagem e distribuição, há o atendimento ao público nas agências.

“O movimento nas agências começou a cair ontem, mas mesmo com pouco movimento, eles manuseiam dinheiro o tempo todo, outro fator preocupante, dada a possibilidade de transmissão do vírus”.

Funcionários trabalham sem proteção

“Em todos estes locais os trabalhadores estão operando sem máscaras, luvas, álcool gel, papel toalha, copos plásticos e em algumas agências do interior, como Araputanga, Arenápolis e Canarana, não há sequer limpeza das agências”, denuncia.

As raras exceções em que eles têm algum tipo de proteção é por iniciativa própria.

Edmar disse que desde a terça-feira (17) vem pedindo à direção para suspender as atividades e garantir a operação apenas quando se tratar de medicamentos e materiais de limpeza indispensáveis ao funcionamento das unidades de saúde, por exemplo.

“Alguns laboratórios já mantém contrato com os Correios e a identificação é imediata, mas poderia ser criado um padrão de identificação destes materiais que são essenciais à vida. Porque é preciso ressaltar, a vida vem primeiro que o lucro”.

Ele enfatiza que não se pode manter um serviço em detrimento de outras vidas.

Segundo Edmar, os funcionários situados em grupo de risco, como acima de 60 anos, doentes crônicos, gestantes e lactantes, foram afastados. Mas eles representariam apenas 20% dos cerca de 1280 funcionários em todo o Estado.

“Mais de 1 mil seguem trabalhando nessa situação de muito risco não só para sua saúde, mas da família e quem poderá prever de que forma isso poderá impactar o resto da sociedade?”.

Verba para álcool gel e papel toalha

Na terça-feira (17) o Governo Federal liberou verba para a compra de itens para os funcionários atuarem com segurança, como álcool gel e papel toalha.

“Liberaram R$ 6.775,00 para Mato Grosso. Uma verba insuficiente para a quantidade de gente que temos e nem há mais álcool gel para vender. E ainda por cima não está incluído neste valor, compra de máscaras e luvas”, alerta.

O presidente do Sindicato, alarmado, cita que o presidente nacional dos Correios entrou com um pedido de liminar no STF para que, caso as prefeituras e governos determinem o fechamento do comércio, os serviços dos correios não sejam incluídos. “É muito preocupante o que estamos vivendo”. Edmar também faz parte do grupo de risco.

O Outro lado

A assessoria de comunicação dos Correios em Mato Grosso manifestou-se por meio de nota. Confira comunicado na íntegra:

Para reduzir os impactos da pandemia de coronavírus em seus empregados e no atendimento à população, os Correios adotaram novas medidas preventivas. Desde sexta-feira (20), a empresa passou a realizar a entrega e a coleta de malotes simultaneamente em única visita diária, para melhor aproveitamento da força de trabalho disponível na distribuição e diminuição da frequência de contato com os clientes.

A empresa também suspendeu, temporariamente, a assinatura do destinatário na entrega de objetos postais e está reforçando a importância dos empregados seguirem as orientações de prevenção, bem como de agirem com o respeito, a cautela e a empatia que a situação exige, tanto no ambiente de trabalho quanto no relacionamento com os clientes.

Entre as medidas para conter a disseminação da COVID19 já adotadas pela estatal, destacam-se:

– Envio de orientação a todos os empregados quanto aos cuidados básicos de higiene, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde;
– Disponibilização de álcool gel 70% em locais próximos às estações de trabalho;
– Intensificação de procedimentos de higienização e limpeza do ambiente e equipamentos;
– Havendo suspeita de contaminação, o afastamento imediato do trabalho de empregados que apresentem algum sintoma da doença e das pessoas que tiveram contato direto com eles;
– Afastamento por até 15 dias, a contar do regresso ao Brasil, de empregados que estiveram nos últimos 15 dias em viagem ao exterior, institucional ou particular, ou que tiveram convívio com pessoas infectadas;
– Realização de trabalho remoto por empregados classificados em grupos de risco ou com residentes em grupo de risco;
– Divisão do efetivo administrativo em turnos, estabelecendo horários alternativos para entrada, saída e intervalo para refeição dos empregados, com objetivo de evitar aglomeração nos ambientes de uso comum e em horários de pico de transporte público;
– Criação de um canal para comunicação direta dos empregados com a Presidência da empresa. Durante esse período de alerta, o e-mail será usado para sanar dúvidas, relatar ocorrências e sugerir melhorias a respeito da COVID-19 e suas implicações nos Correios;
– Orientação para que os empregados não participem de reuniões, eventos e encontros externos.

Funcionamento das agências – Sobre as rotinas de atendimento, os Correios informam que estão em contato com os Governos Estaduais e Municipais para que suas unidades não sejam incluídas em decretos de restrição de funcionamento. Esta mediação visa garantir o acesso da população aos serviços postais.
A empresa informa ainda que estão suspensos os serviços premium, Marketing Direto e Telegrama, bem como o pagamento de indenizações por atraso para todos os serviços nacionais e internacionais, por motivo de força maior.

Os Correios permanecem acompanhando e seguindo as orientações governamentais do Ministério da Saúde. Havendo novo direcionamento, a estatal ajustará de imediato as medidas preventivas e procedimentos e fará a devida divulgação ao público. Os Correios colocam-se à disposição pelos telefones 3003-0100 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 725 7282 (demais localidades), ou pelo site https://apps2.correios.com.br/faleconosco/app/index.php.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Caso algum funcionário dos correios em atividades neste momento crítico e de risco à sua saúde e de sua família, se contamine com o corona vírus, esse funcionário pode entrar com uma ação judicial contra a empresa por danos a sua saúde e de sua família?? E está ação do funcionario pode ser válida e ganha contra a empresa, uma vez que estão liberados para exercer suas atividades pelo STF??

  2. Aqui em São Gonçalo, não há necessidade de preocupação, pois os funcionários dos Correios, fingem que trabalham. Antes do Coronavírus, não entregavam nada em casa, depois, não entregam nem nos centros de distribuição. Então guardem os equipamentos de proteção para os que precisam, e privatizem logo esse cabide de empregos.

  3. O problema dos correios é que ela é uma empresa publica.
    Privatiza ela e todo mundo ganha!

    Uma empresa publica não consegue visar o consumidor final, nem a competitividade financeira, já que existe estabilidade nos cargos ocupados.

    Infelizmente o ser humano só produz bem fora da zona de conforto, é com a água batendo na bunda, se não fizer bem feito tem 10 querendo fazer.

    E não vem com essa de que privatizar vai dar a empresa do brasil, o brasil tem que cuidar é do brasileiro, (o que alias não vem fazendo) e não querer ter estatais pra encher de cargos de confiança e nego roubar em licitações.

    Empresa tem q produzir e para produzir tem q ter dono.

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