“Se eu botar fiscal, ele vai apanhar”, diz prefeito sobre controle da lotação dos ônibus

Superlotação é a principal vilã quando se trata de transmissão da covid-19, mas a redução do fluxo depende da consciência dos usuários, diz o prefeito

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

A lotação de ônibus em Cuiabá tem sido alvo constante de críticas e reclamação desde o início da pandemia. As críticas vêm de médicos epidemiologistas, pela indicação de risco de contágio no transporte público, e de agentes políticos, que veem falta de ação para reduzir o fluxo de passageiro em horários de picos. 

Questionado sobre o problema nesta segunda-feira (8), o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) afirmou que pulverizar o número de passageiro depende do comportamento dos próprios usuários do serviço. 

“O que eu posso fazer? No ano passado, eu reduzi gradativamente para 70%, 30% a circulação dos ônibus e me criticaram. Agora, eu liberei 100% da frota estão criticando de novo, porque os ônibus estão lotados. Evitar ônibus cheio depende da consciência de cada um, eu não vou baixar decreto para marmanjo não lotar os ônibus”, disse. 

Especialistas em saúde que acompanham a evolução da pandemia em Mato Grosso afirmam que o uso intenso do transporte coletivo é uma das principais de causas de transmissão de vírus. A rotação constante de passageiros, de diferentes bairros, em contato corpo a corpo ou indireto, pelos corrimãos, facilita a infecção. 

As críticas se estendem à falta de observação desse problema nos decretos de isolamento social. Medidas para diluição do fluxo de pessoas no horário de pico seriam mais eficazes do que o toque de recolher. 

“Todo mundo defende que se pegue o segundo ônibus, mas ninguém espera, todo mundo quer pegar o primeiro que chega; isso está no comportamento da população. As pessoas precisam ter consciência”, disse Emanuel.

Ainda de acordo com o prefeito, a equipe que traça as estratégias para controle da pandemia chegou a sugerir que os ônibus só pudessem carregar passageiros sentados. Uma medida que, na avaliação dele, seria a ideal, mas não funciona realidade da cidade. 

“Se eu botar fiscal lá [para impedir a entrada nos veículos], ele vai apanhar. E vai aglomerar gente no ponto. O real é diferente do ideal”, completou. 

Ao aprovar o projeto de lei, enviado pela prefeitura, que pune com multa pessoas que descumprirem as medidas de biossegurança, os vereadores de Cuiabá cobraram a adoção de medidas mais eficazes. No caso transporte coletivo, eles afirmam que a prefeitura “faz vista grossa” para o problema da lotação.   

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