14 de abril de 2026 15:26
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Resistência: por que taxistas não abandonam a profissão ou migram para os app?

Foto de André Souza
André Souza

Um projeto de lei complementar que tramita no Senado quer isentar as cooperativas de táxi do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). O objetivo é que o tributo – cobrado pelas prefeituras – não incida sobre o valor pago pelos passageiros aos taxistas, assim, na teoria, as corridas ficariam mais baratas.

O projeto, de autoria do senador Major Olímpio (PSL/SP), também autoriza os municípios a concederem incentivos ou benefícios fiscais às cooperativas.

“O taxista já é um ferrado por natureza com a duplicidade de cobrança em relação ao imposto sobre serviços. [O projeto] só está facultando aos municípios darem um tratamento igualitário”, argumenta o senador.

A proposta é vista com bom olhos pelos taxistas de Cuiabá. Desde o nascimento de empresas como a Uber, esses profissionais vem tentando se reinventar para sobreviver no ofício. E acredite, ainda tem gente nova entrando no mercado.

Leonardo de Faria, 23, está no ramo há 4 anos. Ele e o pai – há 15 anos na praça – dividem os turnos no volante.

Ele reconhece uma diferença no faturamento após a chegada dos motoristas de aplicativo, mas sustentar que trocar o táxi por um deles, está fora de cogitação. 

“Está cada vez mais difícil. Temos que trabalhar mais para conseguir metade do que fazíamos antes”, conta. Os lucros dele e do pai passaram de R$ 500 para cerca de R$ 200 por dia.

Mesmo assim, a avaliação é que “é melhor fazer uma corrida boa do que corridas pequenas com preços baixos”. 

Leonardo de Faria, 23, é taxista há quatro anos (Foto: André Souza/ O Livre)

Francisco Ferreira Barbosa, 75, trabalha como taxista há 33 anos. Nesta quinta-feira (13), ele chegou para trabalhar às 6h. Por volta das 10h, a única corrida que havia feito tinha lhe rendido R$ 10.

“Não tem mais lucro. Tem dia que a gente faz, tem dia que não. O camarada hoje em dia trabalha para se manter, sobreviver”, ele lamenta.

O ponto, a Praça Alencastro, no Centro de Cuiabá, é dividido com outros 15 motoristas. E o perfil dos clientes que ainda preferem os táxis, segundo ele, é o de passageiros idosos. 

Em tempos de “vacas gordas”, Francisco diz que já lucrou R$ 6 mil por mês. Hoje, o faturamento mensal não passa de R$ 2 mil.

Francisco Ferreira Barbosa (à esquerda) e Lúcio Henrique da Silva (à direita) (Foto: André Souza/O Livre)

Tratamento diferenciado

A estratégia de quem permanece no táxi é fidelizar o cliente com um tratamento diferenciado. Boa conversa é o mínimo que se oferece, eles garantem.

Sempre de óculos escuros, camisa de botão, calça jeans e sapatos mocassim, Francisco diz que esse – estar bem arruado – é um dos segredos para manter a freguesia.

“O motorista de aplicativo não carrega uma sacola de supermercado, trabalha de bermuda e chinelo”, alfineta.

Bem no centro de Cuiabá, a Praça Alencastro é um dos pontos de táxi mais tradicionais da cidade (Foto: André Souza/O Livre)

Em outro ponto, também pela região central, trabalha Lúcio Henrique da Silva, 60. Há 35 anos no ramo, ele diz que os taxistas estão “num mato sem cachorro”. A falta de apoio político, para ele, é a principal mazela da categoria.

Lúcio e Francisco criticam também as taxas cobradas pela prefeitura. Segundo eles, o alvará anual para liberação dos carros é de R$ 695, além de taxas como vistoria.

Entre as obrigações estão: retirar carteira de habilitação para atividade remunerada, certidão criminal, exame toxicológico e exame de sanidade mental.

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