Em 2024, Abilio Brunini venceu as eleições com uma campanha voltada para as redes sociais. Analistas dizem que ele foi o candidato que menos saiu para as ruas e que mais usou seus perfis online em busca do eleitor. De lá para cá, seu público nas redes só cresceu.
Seus seguidores no Instagram, por exemplo, saltaram de cerca de 100 mil, pouco antes do início da campanha, em meados de 2024, para mais de 1 milhão, hoje. O crescimento chamou a atenção e atraiu outros políticos para internet.
Mas as redes sociais ainda não devem ter efeito na campanha eleitoral deste ano. Ao menos, o impacto delas não deve decidir as eleições. A avaliação do cientista político João Edisom é que os políticos brasileiros continuam sem aprender a usar as ferramentas ao favor deles.
“Nós temos políticos que se destacam sim nas redes sociais, mas são um caso e outro, e mesmo assim, quando eles chamam a atenção dos usuários, é por coisas muito malucas. Geralmente, não são para propostas ou mobilização por algum assunto”, disse.
O impulsionamento das redes sociais é frustrado no Brasil. Desde a campanha vitoriosa de democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, com uso massivo do Twitter, há mais de 10 anos, a internet passou a ser cogitada como um novo campo de disputa. Mas no Brasil, além das “coisas malucas”, pouco rendeu.
Há números para sustentar essa análise. Uma pesquisa divulgada pela Agência Câmara em 2022 (ano da última eleição para os mesmos cargos que serão disputados em 2026) mostrava que no máximo 10% dos candidatos apostavam nas redes sociais como um canal de comunicação para a divulgação de propostas e pedido de votos ao eleitor.
A alternativa não era escolhida mesmo com um custo bem mais baixo do que os veículos tradicionais de marketing e propaganda. Politicamente, o cientista João Edisom diz que existe o problema das diferenças de linguagem.
Os políticos são mais velhos do que o público das redes sociais e não conseguem estabelecer uma ponte de comunicação. Aqueles que se destacam divulgam mais conteúdo de “lacração”, geralmente, dar uma opinião mais apaixonada do que razoável à polêmica do momento ao invés de promover debates ponderados.