14 de abril de 2026 18:06
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Pantanal: só 5% das fazendas obtêm licença para medida que evita queimadas

Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

Os pecuaristas do Pantanal Mato-grossense estão tendo dificuldades em tirar a licença que autoriza a limpeza de pastagens. A iniciativa garante a redução de matéria orgânica no solo e, como consequência, previne incêndios na região.

Conforme dados da própria Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), dos 132 processos analisados, apenas 5% resultaram em aprovação. Os demais esbarraram em questões técnicas e pendências.

A limpeza de campos ou pastagens consiste na retirada de plantas exóticas e materiais lenhosos dos pastos naturais do Pantanal. Essa biomassa seca e favorece a ocorrência e proliferação de incêndios. Funciona como combustível para o fogo, tornando o controle das chamas uma tarefa árdua.

Vai e vem de documentos

As estatísticas de produtividade foram apresentadas durante o 3º Encontro de Produtores das Fazendas Pantaneiras Sustentáveis, realizado nesta quinta-feira (1º), no auditório da Famato. Na ocasião, a superintendente de Mudanças Climáticas e Biodiversidade da Sema, Gabriela Rocha Priante Teles de Avila, explicou que alguns processos de solicitação da licença chegaram a passar por reavaliação – após pendências – por 5 vezes.

Avila atribuiu este fluxo de vai e vem ao trabalho dos técnicos externos (engenheiros e profissionais que fazem os processos), que na avaliação dela, cometem muitas vezes erros grosseiros, como a não apresentação de documentos exigidos.

Em meio ao debate, a gestora do Núcleo Técnico da Famato, Lucélia Avi, relatou que, por meio de uma parceria, os técnicos da Famato tiveram acesso aos processos e constataram as falhas e foram em busca dos produtores para dar um retorno, já que muitos não tinham conhecimento do que estava acontecendo.

Sema tem dois funcionários no setor de liberação de licenças para analisar todos os processos (Foto: Assessoria)

Muita burocracia, pouca gente

Avi argumentou ainda que a morosidade não vem apenas por conta disso, mas também porque, quando há uma pendência, o processo volta para o final da fila de análise e como existem apenas duas pessoas trabalhando no setor de liberação de licenças, a demora é grande. Um dos produtores que estava no local durante o evento relatou espera de 5 meses.

Outra que se manifestou foi a representante do Sindicato Rural de Poconé e da Comissão de Assuntos do Pantanal da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso, Daniela Campos. A advogada afirmou que leu toda a regulamentação pertinente a liberação de licenças e, depois de passar da 3ª lauda de leitura dos documentos exigidos, percebeu que mais do que alinhar o conhecimento entre os técnicos de dentro e de fora da Sema, é preciso desburocratizar o processo.

Do jeito que o sistema está organizado, além de atrasar os trabalhos no Pantanal, gera gastos onerosos para uma região descapitalizada e que, hoje, vive o êxodo dos produtores por conta da falta de pastos, consumidos pelas plantas invasoras.

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O produtor José Benedito de Arruda e Silva, conhecido como Juquinha, desafiou quem quisesse ver a propriedade dele. O pasto foi consumido e, atualmente, ele precisou arrendar uma área para abrigar os animais.

Segundo o pecuarista, o pantaneiro tem apenas 140 dias do ano para trabalhar por conta das chuvas. Sendo assim, uma licença que demora 4 meses para ser liberada é inviável e não atende à demanda urgente daquela população.

Outro pleito dos produtores é com relação ao tempo de vigência da licença: um ano. Como a liberação demora, ela não sai em tempo hábil de concluir todo o serviço ou não sobra dinheiro para o produtor fazê-lo. Porém, para isso, segundo a própria superintende da Sema é preciso paciência e a mudança da legislação.

Nova lei do Pantanal

A nova Lei do Pantanal (11.861/22) foi sancionada em agosto deste ano, contudo ainda precisa ser regulamentada por meio de decreto. Por enquanto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do Pantanal está elaborando uma série de notas técnicas para subsidiar este trabalho.

A parte de limpeza de pastagens está seguindo o decreto 785/2021, que foi instituído para resolver um problema latente, a falta de sintonia entre a antiga Lei do Pantanal, de 2008, e o Código Florestal, de 2012, bem como a falta de regulamentação da limpeza de pastagens, que perdurou por 13 anos.

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