Morte de esteticista após cirurgia completa dois meses e CRM ainda apura o caso

Edléia Daniele Bueno morreu depois de ter complicações após uma cirurgia de lipoaspiração em Cuiabá

Na semana em que ganhou luz a denúncia de dois novos casos de intercorrências após cirurgias plásticas realizadas pelo Programa Plástica para Todos, a morte da esteticista Edléia Daniele Bueno completa dois meses, nesta sexta-feira (13). Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), o caso ainda é apurado em sindicância.

A esteticista Daniele procurou o programa Plástica para Todos para dois procedimentos: fazer uma lipoaspiração e mamoplastia. O contato foi feito inicialmente por Facebook, mediante pagamento de R$ 50, e posteriormente por um grupo no WhatsApp. Após consulta médica, a cirurgia foi agendada para o dia 12 de maio.

A cirurgia foi realizada no Hospital Militar de Cuiabá. Quando saiu da sala de operação, foi encaminhada para um quarto, onde esteve na companhia da esposa, Simone Bueno. Segundo as informações da Polícia Civil, Simone percebeu que Daniele não passava bem horas depois da cirurgia. A acompanhante relatou que a paciente apresentava sangramentos e tinha pulso fraco.

Naquele dia, Daniele ainda foi atendida por enfermeiro, que também teria demonstrado que algo estaria errado. A moça foi estabilizada e encaminhada para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no hospital particular Sotrauma. O diretor do Hospital Militar, coronel Kleber Duarte, disse à época que a paciente teria deixado a unidade consciente. Horas depois, porém, já no dia 13, ela faleceu.

Em coletiva de imprensa, a Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoas (DHPP) informou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte um choque hemorrágico, que poderia ter sido ocasionado devido uma retirada de gordura superior ao recomendável. O programa Plástica para Todos, por sua vez, repudiou o laudo e disse que pediria a anulação do documento.

CRM no caso
A presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), a médica Maria de Fátima de Carvalho, informou que tomou conhecimento sobre o caso de Daniele por meio da imprensa. Antes de receberem a denúncia por parte de entidades da medicina, os conselheiros instauraram uma sindicância para apurar se houve erro médico no caso ou se teria se tratado de uma intercorrência comum, que pode acontecer em qualquer procedimento cirúrgico.

Mais de um mês foi necessário para que os médicos tivessem acesso às documentações necessárias para instaurarem uma sindicância. Agora, dois meses depois, os conselheiros já estão com os procedimentos em andamento.

[featured_paragraph]“As apurações já estão em andamento, mas estão em sigilo. Ainda estamos analisando os papéis e tem os prazos para entrega de novos documentos”, explicou a presidente. Segundo ela, caso, durante a sindicância, seja apontado possível erro médico, deverá ser aberto um processo ético-profissional.[/featured_paragraph]

“Se for aberto, o relatório deverá ser analisado por uma Câmara, que vai decidir se aprova ou não o relatório do conselheiro sindicante. Se eles acatarem, corre o processo com os prazos e os advogados vão trabalhar com documentação, testemunhas, cada um tentando provas suas teses. No final de tudo, o processo é encerrado na parte de instrução e segue para uma nova análise e depois um julgamento”, disse a médica, explicando os possíveis trâmites.

Ao todo, o caso ainda poderá levar de seis meses a um ano.

Novos casos
Duas novas pacientes do programa Plástica para Todos foram parar na Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) após terem complicações médicas. As informações foram repassadas pela Sociedade Mato-grossense de Anestesia (Soma) na quarta-feira (11) por meio de nota. Segundo informaram, as pacientes também foram operadas no Hospital Militar, ainda neste mês de julho.

[featured_paragraph]A direção do Plástica para Todos, porém, alegou que se trata de disputa comercial. Em nota enviada ao LIVRE, informaram que contrataram uma equipe de anestesistas de Cuiabá que não são ligados a grupos como a Soma, o que teria contrariado a Sociedade, “razão pela qual, em evidente ato de represália, busca fazer uma associação dos casos para prejudicar os médicos, a empresa e o hospital”.[/featured_paragraph]

Apesar disso, o programa confirmou que duas pacientes precisaram de “cuidados especiais” após a cirurgia. No entanto, descartaram “complicações médicas”. Classificando os dois casos como “intercorrência inerente a qualquer tipo de cirurgia”, disse que uma das clientes, identificada como M.J.O.U já recebeu alta da Santa Casa de Misericórdia, onde esteve internada até o final de semana. Já a segunda envolvida, N.R.D.C, permanece na UTI do Hospital São Mateus, onde é acompanhada por médicos do programa. Segundo esclareceu, N.R teve sangramento de vasos quando já estava em casa, após a cirurgia, e procurou a unidade particular por conta própria.

Após os casos ganharem luz, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também repudiou o programa Plástica Para Todos e o CRM-MT informou que vai apurar as novas ocorrências.

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