Em virtude da atual situação financeira do Estado, o governador eleito Mauro Mendes (DEM) demonstrou ser contrário ao pagamento das parcelas da Revisão Geral Anual (RGA) previstas para este ano. Durante a primeira reunião com todos os membros de ambas as equipes de transição do governo, realizada nesta terça-feira (06) na Casa Civil, o democrata ressaltou que deve prevalecer o posicionamento da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), segundo a qual não há dinheiro em caixa para a concessão da RGA.
“O que vale é a verdade. Não pode ter mentiraiada, enganação e enrolação porque ninguém aceita mais. Espero que o governo não faça isso, pois vai piorar a situação dos servidores, de Mato Grosso e do próprio governo atual”, disparou Mauro Mendes, numa referência às declarações do Secretário Chefe da Casa Civil, Ciro Rodolpho, de que o Estado irá pagar a parcela de 2% prevista para outubro, mesmo com a nota técnica emitida pela Sefaz apontando as dificuldades financeiras do Estado.
Segundo o futuro governador, quem lida diariamente com a arrecadação e despesas do Estado é a Sefaz, que trabalha com números que comprovam a situação de Mato Grosso. “Se o secretário-chefe da Casa Civil conseguir colocar números na mesa comprovando que o Estado está bem e tem condições de pagar, tem que prevalecer a posição dele. Se o secretário de Fazenda coloca os números na mesa e esses números são disponíveis e amplamente divulgados, então tem que prevalecer a posição do secretário de Fazenda”.
O governador eleito ponderou ainda que fará sua parte, mas espera que todos façam a sua também, inclusive os servidores. “A RGA deve ser paga desde que o Estado tenha condições para isso. Os próprios servidores têm que saber se tem ou não condições. Se não consegue arrecadar no mês o que tem que pagar no mês, como que vai aumentar ainda mais a despesa no mês? Falta dinheiro para tudo, o Estado não tem condições de fazer despesas financeiras, pois não vai conseguir honrar”, defendeu.
Os servidores pedem o pagamento de 4,19% da RGA deste ano, inicialmente pactuado em duas parcelas, sendo 2% em outubro e 2,19% em dezembro. O secretário-chefe da Casa Civil, Ciro Rodolpho, afirmou que aguarda apenas o parecer final do Tribunal de Contas do Estado para efetuar o pagamento da reposição inflacionária, que será feito em folha suplementar, ao passo que o secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, havia dito que o pagamento poderia comprometer os repasses aos municípios e aumentar ainda mais o rombo nas finanças do Estado.
Ameaça de greve
Na oportunidade, Mauro Mendes também criticou a ameaça de greve por parte dos servidores públicos do Estado caso o governo não pague a parcela de outubro da RGA até o próximo dia 13. “Greve compromete ainda mais a situação do Estado, agravando ainda mais o que já é crítico. O Estado deve para Deus e todo mundo”.
Em seu governo, no entanto, o democrata disse que sempre irá prevalecer o diálogo. “Eu não sou um homem que tem dificuldade de lidar com pressão. Gosto do diálogo, da boa conversa, do bom argumento. Não é bom para Mato Grosso um ambiente hostil, como se tentou estabelecer em alguns momentos, vamos dialogar sempre”.
Transição
Nessa terça-feira (06) foi realizada a primeira reunião com todos os membros das equipes de transição do atual e do futuro governo, a fim de alinhar os procedimentos, as formas e como se dará a circulação de informações.
De acordo com o governador eleito, a partir desta quarta-feira (07) começa a segunda etapa dos trabalhos de transição, que consiste em visitas in loco em todas as secretarias. A ideia é concluir o diagnóstico das pastas até 30 de novembro.