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Sefaz diz que RGA pode atrapalhar repasses aos municípios e Fundeb

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Laíse Lucatelli

O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, afirmou que pagar a reposição inflacionária aos servidores estaduais de 2018 pode comprometer os repasses aos municípios e aumentar ainda mais o rombo nas finanças do Estado. Segundo o secretário, a parcela da Revisão Geral Anual (RGA) prevista para a folha de outubro, de 2%, equivale a cerca de R$ 13 milhões líquidos por mês.

“Temos um déficit que só aumenta e coloca em risco as transferências constitucionais aos municípios, como o repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação), e até mesmo o pagamento pontual da folha, além de pagamentos aos fornecedores”, afirmou Gallo ao LIVRE.

Ele não deu garantias de que a reposição será paga e espera a resposta do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O secretário informou que foram geradas duas folhas, uma com RGA e outra sem. A previsão é pagar os salários no dia 10. “O Tesouro não é contra a RGA. Esse alerta foi feito porque o TCE pediu que a Sefaz se manifestasse periodicamente sobre a capacidade financeira do Tesouro estadual suportar a RGA. Já enviamos outras notas técnicas ao órgão”, afirmou.

Além dos problemas de caixa, Rogério Gallo citou também que o Estado está estourando o limite de 49% para gasto com pessoal previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Apesar de o TCE ter autorizado o cálculo da folha sem o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o que deixa Mato Grosso com um gasto de 47,02%, esse método contraria as regras do governo federal, que considera que o Estado gasta 54,29% da receita corrente líquida com pessoal.

Nota técnica da Sefaz

Em nota técnica enviada ao TCE em 25 de outubro, à qual o LIVRE teve acesso, a Secretaria de Fazenda (Sefaz) apontou que o déficit atual no caixa do governo é de R$ 1,8 bilhão. No documento, a secretária-adjunta do Tesouro, Luciana Rosa, e outros quatro servidores afirmam que os recursos disponíveis em caixa “são insuficientes para honrar as despesas obrigatórias (pessoal, dívida, duodécimos), pagar as despesas de custeio e ainda conseguir honrar com o pagamento dos fornecedores que ficaram inscritos em restos a pagar”.

“O Tesouro do Estado de Mato Grosso, portanto, conclui pela ausência, nesse momento, de qualquer margem financeira que possibilite o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) sem o prejuízo do adimplemento de outras obrigações constitucionais, notadamente a aplicação do percentual mínimo em saúde e educação e o pontual e integral repasse aos poderes e órgãos autônomos”, diz outro trecho da nota.

O documento destaca que, se conceder a reposição, o Estado passa a ter obrigação de continuar pagando, e não pode cortar essa despesa. “Por se tratar de despesa obrigatória, o montante despendido com pessoal não pode ser objeto de corte ou contingenciamento. Assim, a implementação das parcelas previstas na Lei Estadual nº 10.572/2017 terá o condão de pressionar ainda mais as finanças estaduais, obrigando, por corolário lógico, a realização de empréstimos entre fontes e multiplicação de restos a pagar sem lastro.”

Ameça de greve

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (5), o Fórum Sindical anunciou a intenção de deflagrar greve geral dos servidores a partir do dia 13, se a reposição não for paga.  A parcela prevista para este mês é de 2%, mais 1% de correção. Outros 2,19% estão previstos para dezembro.

A falta de pagamento da RGA levou a uma greve geral de cerca de 30 dias, em junho de 2016, para cobrar a reposição integral da inflação 2015. Para colocar fim à greve, o Fórum Sindical aceitou o acordo de receber apenas parte da perda inflacionária naquele ano.

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