Jornalista lança livro e documentário sobre Aline Figueiredo e a construção da cena cultural em MT

Ao contar a vida agitada da crítica de arte e animadora cultural, as duas obras vão do Pantanal aos canais de Veneza, passando pelo centro histórico de Cuiabá

(Foto: Reprodução)

Filha de cuiabano, nascida em Corumbá (MS), Aline Figueiredo deixou o coração do Pantanal para ganhar o mundo e se tornar um dos principais nomes da história das artes e da cultura de Mato Grosso dos últimos 50 anos.

Seu papel nos bastidores, principalmente na função de organizadora e animadora da cena local, foi decisivo na trajetória de artistas como Dalva de Barros, Clóvis Irigaray, Adir Sodré e Gervane de Paula, entre dezenas de outros.

Ao longo de 29 capítulos, esse percurso singular é contado no livro “O Propósito de Aline” (Editora Entrelinhas), escrito pelo jornalista Rodrigo Vargas. O olhar sobre a personagem se complementa ainda com o documentário “Eu Sou Capim-Navalha”, focado em seu cotidiano cercado por arte.

Ambos serão lançados no dia 14 de setembro a partir das 19 horas em evento no teatro do SESC Arsenal. As obras fazem parte do projeto O Propósito de Aline, contemplado no Edital “Conexão Mestres da Cultura – Marília Beatriz de Figueiredo Leite”, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e viabilizado com recursos da Lei Aldir Blanc.

Ao contar a vida agitada da crítica de arte e animadora cultural, o conjunto formado pelas duas obras vai do Pantanal aos canais de Veneza, passando pelas ruas do centro histórico de Cuiabá. O que emerge dessa experiência é uma personagem carismática, polêmica e extremamente determinada.

(Foto: Reprodução)

Em 1966, aos 20 anos de idade, conseguiu reunir 17 artistas de todos os cantos de Mato Grosso em uma exposição que até hoje é considerada como o marco de um novo momento para a cena local.  Para isso, bateu à porta de ninguém menos que Assis Chateaubriand, o “Rei do Brasil”.

Aos 28, morando em Cuiabá, começou a mobilização que levaria ao surgimento do Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT, cujo acervo é um dos mais importantes do Estado.

Esteve à frente da movimentação que levou à criação do Ateliê Livre da Fundação Cultural de MT, berço de inúmeros talentos das nossas artes.

Escreveu cinco livros e está prestes a lançar o sexto. Por eles, ganhou dois prêmios da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA).

Olhar intimista

Vargas percorre, no livro, a história da animadora cultural desde que seus primeiros antepassados alcançaram as terras da recém-criada capitania de Mato Grosso, no século 18.

Depois, acompanha seu pai, Augusto Novis de Figueiredo, a quem o destino reservaria, após uma sequência de desventuras e aventuras, um pedaço de terras na Nhecolândia, hoje Mato Grosso do Sul.

Os capítulos descrevem a infância e a adolescência em meio à natureza quase intocada, a descoberta da magia da arte na adolescência e a vida adulta repleta de reviravoltas e realizações.

(Foto: Reprodução)

“Você, ou qualquer pessoa que correr os olhos por estas páginas, vai entender mais sobre os motivos que levaram e levam Aline a ser o que ela é”, escreve o jornalista, escritor e poeta Lorenzo Falcão, no prefácio.

No documentário “Eu Sou Capim Navalha”, o olhar é menos cronológico, factual e mais intimista, mostrando Aline em sua lendária casa no bairro Popular, em Cuiabá, em meio a livros, centenas de obras de arte e quatro cães ruidosos que são sua paixão. 

“Aline tem uma capacidade ímpar de realizar aquilo que sonha. E, ao longo da vida, demonstrou essa disposição inúmeras vezes, mesmo com dificuldades e incompreensão. E, aos 75 anos, segue atenta e em busca de novos projetos. Isso é o que mais me fascina”, avaliou o jornalista Rodrigo Vargas.

O autor

Rodrigo Vargas, 45 anos, é natural de Patrocínio (MG), mas se criou desde menino em Cuiabá (MT). Jornalista com 23 anos de estrada, já percorreu Mato Grosso, o Brasil e o mundo em busca de histórias e personagens.

Como repórter do Diário de Cuiabá e da Folha de S.Paulo, entre outros veículos, especializou-se e teve trabalhos premiados na cobertura de temas socioambientais, direitos indígenas e conflitos agrários. 

Essa determinação é a marca de “Andanças – Reportagens pelos Confins de Mato Grosso”, seu primeiro livro, lançado pela Entrelinhas em 2017. 

O livro e o documentário serão lançados na próxima terça-feira (14), às 19h, em evento no teatro do Sesc Arsenal.

(Da Assessoria)

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