Ivermectina e azitromicina: remédios para covid-19 valem ouro, diz farmacêutica

O Livre visitou cinco farmácias em Cuiabá, na quinta-feira (2). O aumento na procura dos medicamentos foi registrado em 100% dos estabelecimentos

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Mesmo sem comprovação científica da eficiência, mas baseando-se em testemunhos de inúmeros médicos e pacientes, a ivermectina e a azitromicina têm sido usadas no tratamento contra a covid-19. Os anúncios de “curas” através dos dois medicamentos causou o esvaziamento das prateleiras nas farmácias.

A reportagem visitou, na quinta-feira (2), cinco estabelecimentos da Capital. Em apenas dois deles havia disponibilidade dos remédios.

Está valendo ouro. A busca por esses dois remédios aumentou muito. Há alguns dias não tínhamos em estoque, mas foi feita a reposição recentemente, afirma a farmacêutica da unidade de uma rede de drogarias, Leliane Souza Andrade.

Leliane Souza Andrade, farmacêutica (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O aumento na procura pelos medicamentos foi observada em 100% das farmácias visitadas.

“Chega uma quantidade e, logo em seguida, já sai. Toda hora tem gente procurando, vindo atrás porque ouviu alguém falar que é bom ou tem um amigo, parente que está sendo medicado”, conta a farmacêutica Patrícia de Figueiredo.

Nas farmácias, outro relato é constate: a dificuldade para adquirir os remédios com os fornecedores. A lei da procura e oferta, como cita Patrícia, tem afetado as negociações.

“Eles [os fornecedores] estão vendendo somente em combos. É preciso comprar uma série de medicamentos que já se tem no estoque para poder levar a azitromicina ou ivermectina”, revela.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Os preços da ivermectina e da azitromicina saem, em média, por R$ 23 e R$ 25, respectivamente.

Em algumas cidades, a exemplo de Cuiabá, os medicamentos vão ser distribuídos de graça pela prefeitura. A previsão é que 100 mil kits covid-19 sejam entregues no município a partir da terça-feira (7).

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Recentemente curado da covid-19, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), confirmou – por meio de assessoria – que utilizou os remédios sob orientação médica para tratar a doença.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Uso dos medicamentos

A ivermectina é um vermífugo. O medicamento faz parte do grupo dos antiparasitários com ação em vários vermes e parasitas. Por sua vez, a azitromicina – um antibiótico – é usado no tratamento de coqueluche, doença que atinge o trato respiratório.

Na França, um estudo como apenas 36 pacientes e sem seguir critérios clássicos de pesquisa científica sugeriu que o uso da hidroxicloroquina associado à azitromicina pode zerar a carga viral em seis dias.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

É importante lembrar que, até o momento, nenhum medicamento ou terapia foi aprovado pelas autoridades médicas e sanitárias mundiais para prevenir ou tratar a covid-19.

A azitromicina e a ivermectina são estratégias usadas para prevenir infecções e controlar o avanço da doença.

Os dois medicamentos só devem ser ingeridos sob prescrição médica. Para a compra, entretanto, apenas a azitromicina exige a apresentação de receita.

Apreensão na fronteira

Há cerca de uma semana, dois homens foram presos em Vila Bela da Santíssima Trindade, fronteira com a Bolívia, por contrabando. Segundo o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), 250 carterlas de ivermectina foram encontradas com os detidos.

O medicamento estava escondido dentro de uma caminhonete. O veículo trafegava no sentido Bolívia/Brasil e foi vistoriado pelos policiais.

(Foto: Divulgação/Gefron)

À polícia, um deles confessou que comprou os remédios em San Ignacio Velasco, cidade boliviana. Após o transporte, ele entregaria a mercadoria para um amigo em Pontes e Lacerda, cidade vizinha.

Os produtos estão avaliados em R$ 8 mil.

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