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Justiça

Calamidade pública: o que é a situação decretada pelo prefeito Emanuel Pinheiro?

Orçamento da prefeitura para 2024 - calamidade pública
Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

O prefeito Emanuel Pinheiro decretou ontem (9) estado de calamidade pública na Saúde de Cuiabá. O decreto flexibiliza algumas regras de gastos e compras na área e oficializa o pedido de socorro financeiro aos governos estadual e federal. 

O que é estado de calamidade pública? 

O estado de calamidade pública pode ser decretado por estados ou municípios. Ele está previsto no decreto nº 7.257 de 2010. O município ou estado precisa ter pelo menos duas de três características anormais para o decreto: danos humanos, ambientais ou materiais.  

A situação deve ser informada ao governo federal, que analisará se a reconhece ou não. A medida tem efeito direto nas ações de secretários, que poderão ignorar regras de controle fiscal. Eles ficam liberados a: 

  • Fazer compra sem licitação 
  • Ter acesso a dinheiro pública de forma facilitada 
  • Furar as metas fiscais previstas em leis 

O estado de calamidade também abre espaço para o envio de mais dinheiro do estado e da União para socorrer o município. 

Dados da prefeitura 

Ao divulgar o decreto, o prefeito Emanuel Pinheiro apresentou 2 quadros que, segundo ele, justificariam o estado de calamidade pública na Saúde de Cuiabá. Primeiro, seria o aumento de óbitos no Hospital São Benedito no ano passado. 

Conforme a prefeitura, há registro de 202 no hospital entre 15 março de 2023 e 31 de dezembro, período da intervenção. No ano anterior, teriam sido 105 casos, no mesmo intervalo de tempo. 

O prefeito afirmou que o déficit financeiro da Secretaria de Saúde em 2024 está previsto em cerca de R$ 200 milhões a mais. Vale lembrar que, no início da intervenção, a prefeitura reconheceu dívidas acumuladas de R$ 345 milhões. 

Sobre as mortes, o TCE contestou as informações da prefeitura, dizendo que os dados são truncados. Um número próximo de pessoas teria morrido no São Benedito, quando estava “praticamente fechado” em 2022. 

Se o decreto for aprovado, a prefeitura teria condições para mitigar as dívidas que, segundo o TCE, se acumulam desde 2017. 

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