De acordo com o novo sistema de classificação de risco para a covid-19 criado pelo governo de Mato Grosso, Cuiabá atingiu o alerta vermelho e medidas severas de distanciamento social precisam ser implantadas.
O decreto publicado na última sexta-feira (12) prevê que cidades nesse estágio devem implantar quarentena coletiva obrigatória por um período mínimo de 15 dias, além de barreiras sanitárias para controlar quem entra e sai do município.
Em outras palavras, adotar o regime de lockdown, que permite o funcionamento apenas de atividades consideradas essenciais.
A reportagem do LIVRE usou os critérios previstos no decreto do governo e dados dos boletins diários de evolução do novo coronavírus produzidos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
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Conforme o decreto, a classificação dos municípios deve ocorrer levando em consideração a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e a de propagação da covid-19 entre as pessoas.
O intervalo de tempo para a coleta desses dados deve ser de 15 dias. Sendo assim, o LIVRE se embasou nos números dos boletins divulgados nos dias 30 de maio e 13 de junho.
Apenas os casos ativos de covid-19 foram considerados, ou seja, de pessoas que ainda estavam doentes dentro deste período.
Segundo o boletim da SES, Cuiabá tinha 521 casos ativos da covid-19 no fim de maio. Esse número subiu para 1.203 neste sábado, o que representa um aumento de 130% em duas semanas.
E o último boletim da Secretaria – o do dia 13 deste mês – apontou ainda que, das 130 vagas em UTIs destinadas exclusivamente a pacientes da covid-19 na Capital, 80 estavam ocupadas. Um percentual de 61%.
Pelas novas regras criadas pelo governo de Mato Grosso, cidades que têm mais de 40 casos ativos da covid-19, mais de 60% das UTIs ocupadas e uma taxa de contágio do novo coronavírus superior a 100%, devem ser receber o alerta vermelho (risco muito alto).

Para o cálculo, a reportagem do LIVRE considerou os números de quatro hospitais localizados dentro de Cuiabá: o São Benedito e o antigo pronto-socorro – ambos administrados pelo município – e a Santa Casa e o Hospital Universitário Júlio Müller.
O que diz a Prefeitura de Cuiabá?
Em nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que ainda analisa o decreto do governo do Estado que institui o novo sistema de classificação.
“Reitera que independentemente de onde tenha partido a iniciativa, o enfrentamento é contra o novo coronavírus e as informações serão devidamente analisadas pelo Comitê de Enfrentamento Municipal à Covid-19”, diz o texto.
Nesta segunda-feira (15), o secretário de Saúde do município, Luiz Antônio Pôssas de Carvalho, reúne-se com o governador Mauro Mendes (DEM) para tratar de assuntos relacionados à pandemia.
Várzea Grande
A reportagem do LIVRE também analisou os números de Várzea Grande, considerando o mesmo intervalo de tempo: do dia 30 de maio ao dia 13 de junho.
De acordo com os boletins da SES, a cidade da região metropolitana tinha 171 casos ativos da covid-19 no fim do mês passado – um número que saltou para 335 neste sábado. O crescimento, portanto, foi de 95%.
Já a taxa de ocupação das UTIs exclusivas para infectados pelo coronavírus atingiu a marca de 76%. Dos 42 leitos que existem na cidade – 40 no Hospital Metropolitano e 2 no Pronto Socorro Municipal – 32 estão ocupados.
Combinados – conforme prevê o sistema criado pelo governo de Mato Grosso – os dois percentuais colocam Várzea Grande em alerta laranja (risco alto), uma constatação a qual a própria Prefeitura já havia chegado.
Neste domingo (14), por meio da assessoria, a administração da cidade informou que o Comitê de Enfrentamento ao novo coronavírus já sinalizou positivamente para os critérios do governo.




