Cuiabá recebeu, nesta quinta-feira (16), a 3ª Conferência Internacional sobre Etanol de Milho, evento que reúne produtores, indústrias, investidores e autoridades para discutir o avanço de uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro. A iniciativa é promovida pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), em parceria com a Datagro.
Mato Grosso na liderança
A escolha de Mato Grosso como sede não é por acaso. O estado concentra a maior parte das usinas em operação no país, impulsionado pela grande oferta de grãos e pela estratégia de agregar valor à produção local. Na prática, o milho deixa de ser apenas commodity de exportação e passa a ser também fonte de energia e insumo industrial.
O encontro ocorre em meio a uma fase de forte expansão do setor. A produção brasileira de etanol de milho deve ultrapassar 8 bilhões de litros na safra 2025/26, com projeções ainda mais otimistas da UNEM indicando que o volume pode chegar a quase 10 bilhões de litros. No horizonte mais longo, a expectativa é de crescimento contínuo, com possibilidade de atingir 16,6 bilhões de litros até 2033.
Esse avanço tem sido sustentado, principalmente, pelo modelo de usinas flex, que operam com milho e cana-de-açúcar. A tecnologia permite maior eficiência industrial e uso contínuo da estrutura ao longo do ano, reduzindo períodos de ociosidade e ampliando a competitividade do setor.

O milho como um ativo estratégico
Durante a abertura da conferência, lideranças como Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), e Plínio Nastari, presidente da Datagro, destacaram o papel estratégico do etanol de milho na diversificação da matriz energética brasileira. A avaliação do setor é de que o biocombustível reforça a segurança energética ao mesmo tempo em que amplia a oferta de coprodutos importantes para outras cadeias.
Entre esses coprodutos, o DDG e o DDGS têm ganhado destaque. Utilizados na alimentação animal, eles vêm fortalecendo a pecuária, especialmente em regiões produtoras, ao reduzir custos e aumentar a competitividade.

Parceria de indústria e agro
Outro ponto central debatido no evento é a integração entre agricultura e indústria. O etanol de milho tem se consolidado como alternativa relevante de demanda para o produtor rural, reduzindo a dependência das exportações e ajudando a equilibrar preços em anos de safra elevada.
Além disso, a industrialização dentro do próprio estado encurta distâncias logísticas, diminui custos e gera novas oportunidades de renda. O movimento também impulsiona investimentos em infraestrutura e fortalece o desenvolvimento regional.

De olho nos desafios, mas também nas soluções
A conferência também abre espaço para discussões sobre desafios estruturais, como logística, financiamento e marcos regulatórios, além de temas ligados à inovação tecnológica e à eficiência ambiental. Entre as novas frentes de demanda, ganham destaque o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o aumento do interesse internacional por biocombustíveis de menor intensidade de carbono.
Com 27 biorrefinarias em operação e outras 16 em construção no país, o setor vive um momento de consolidação. A avaliação das lideranças é de que o etanol de milho já deixou de ser uma alternativa complementar e passou a ocupar posição estratégica no futuro do agro e da energia no Brasil.
Ao reunir os principais agentes da cadeia, a conferência em Cuiabá reforça esse movimento e busca alinhar estratégias para os próximos anos, com impacto direto sobre demanda, preços e agregação de valor no campo.






