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Uma semana depois de encerrar greve, Santa Casa ainda lida com a falta de médicos

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Camilla Zeni

A falta de pagamento ocasionada por uma crise financeira fez com que médicos e funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá paralisassem as atividades por dois meses. Durante o período, diversos profissionais teriam pedido demissão e criado um déficit no quadro de funcionários. Agora, mesmo uma semana depois de retomarem as atividades, a unidade ainda sofre as consequências da paralisação.

Conforme o LIVRE noticiou em diversas matérias, funcionários da unidade chegaram a ficar até quatro meses sem salário. Outros não haviam recebido o salário de junho quando, em julho, decidiram pela paralisação, uma vez que não tinham sequer dinheiro para o transporte público. Assim, a Santa Casa precisou fechar as portas para novos atendimentos.

De acordo com o presidente da unidade médica, Antônio Preza, ainda nesta quinta-feira (6), uma semana depois de retomarem o atendimento, duas alas da unidade permanecem fechadas para novas internações, sendo elas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Neonatal e Pediátrica.

“As unidades continuam funcionando, mas só com os pacientes que já estavam internados”, explicou. Segundo ele, apenas para cuidar dos dois setores são necessários 20 médicos. Desses, que já estavam no quadro de funcionários, seis pediram demissão. “Então agora nós temos que completar a escala para podermos receber esses novos pacientes”.

Até o dia 20 deste mês, a Santa Casa de Cuiabá deve funcionar com a escala de emergência, para cobrir a falta dos demais profissionais. A previsão é de que, na próxima semana, outros profissionais sejam contratados e, assim, a UTI Pediátrica seja reaberta. No entanto, não há previsão para a abertura da UTI Neonatal.

Crise na Santa Casa de Cuiabá

A greve na instituição começou no final de junho, depois que médicos já somavam mais de dois meses sem receber o salário. À época, o presidente da unidade, Antônio Preza, informou que a Santa Casa enfrentava uma grave crise financeira.

Depois de um acordo com o governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá, os profissionais retomaram as atividades na noite de quinta-feira passada (30). Em audiência de conciliação proposta por funcionários da unidade junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ficou acordado um empréstimo de R$ 6 milhões por parte do poder público e o repasse de outros quase R$ 1 milhão por serviços prestados.

Segundo Preza, a unidade já recebeu R$ 3 milhões, referente às primeiras parcelas do empréstimo, além de R$ 453 mil referente a UTIs e R$ 568 mil de repasse do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF). Com o valor, parte da dívida com funcionários já foi paga. O próximo repasse deverá ser feito no dia 30 deste mês, com o montante de R$ 1,5 milhão.

Cronograma dos empréstimos

A fim de garantir a quitação dos débitos com salários, que somam montantes milionários, o poder público optou por fazer o pagamento do empréstimo em duas parcelas. Dessa forma, ficou estabelecido o seguinte cronograma:

30/08 – Primeiro repasse de R$ 1,5 milhão pelo Governo do Estado
30/08 – Repasse de R$ 453 mil referente às UTIS e de R$ 568 mil referente ao FEEF pela Prefeitura de Cuiabá
05/09 – Primeiro repasse de R$ 1,5 pela Prefeitura de Cuiabá
30/09 – Último repasse de R$ 1,5 milhão pelo Governo do Estado
05/10 – Último repasse de R$ 1,5 milhão pela Prefeitura de Cuiabá
30/12 – Prazo para a Santa Casa devolver, de forma integral, o empréstimo

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