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Você ainda deveria aprender a programar? Entenda a nova crise do mercado tech

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Laura Nabuco

Ao que parece, aprender a programar não é mais garantia de um futuro promissor no mercado de trabalho. E é a  expansão do uso de inteligência artificial que tem provocado a crise. Um levantamento feito nos Estados Unidos aponta que recém-formados em Ciência e Engenharia da Computação têm enfrentado dificuldade para conseguir o primeiro emprego.

Apesar dos salários iniciais altos, o Federal Reserve aponta que a taxa de desemprego para graduados em Ciência da Computação é de 6,1%, enquanto a de Engenharia da Computação chega a 7,5%. Isso é o dobro da taxa de desemprego de quem se formou em Biologia ou História da Arte nos Estados Unidos.

Por que a IA está “quebrando” a escada profissional?

Desde o início dos anos 2010, líderes da tecnologia incentivaram milhões de pessoas a “aprender a programar”, o que resultou em um aumento significativo no número de estudantes de Ciência da Computação. Mas, hoje, o cenário é outro: Elon Musk já disse que “provavelmente nenhum de nós terá um emprego” devido à IA, enquanto Bill Gates mudou seu conselho para focar em “IA, energia e biociências”.

A questão é que a inteligência artificial está “roubando” as vagas de nível júnior, empregos nos quais recém-formados aprendiam na prática com profissionais mais experientes.

Esses “estagiários” estão sendo substituídos por ferramentas de IA, que podem gerar milhares de linhas de código instantaneamente. Até mesmo bancos em Wall Street já estão eliminando vagas de analistas juniores porque a IA faz o trabalho de análise de dados.

Mas o problema não atinge apenas quem escolheu cursar uma dessas graduações. As empresas passaram a buscar, cada vez mais, profissionais experientes, mas estão removendo os caminhos que levam estudantes a se tornarem quem elas procuram.

Qual o futuro do mercado de trabalho com a IA?

Mas será que o problema é a forma como o desenvolvimento de carreira foi estruturado? Pesquisas indicam que  98% das empresas da Fortune 500 com programas de mentoria têm lucros duas vezes maiores do que as que não têm. Ou seja, são empresas que entendem que eliminar vagas de entrada no mercado ameaça a formação de futuras lideranças e a capacidade de inovação a longo prazo.

Enquanto a visão da maioria ainda é investir em inteligência artificial do que em futuros profissisonais sêniors, a dica de analistas para quem está se formando agora é: focar menos na habilidade técnicas e mais nas habilidades humanas, como a capacidade de liderar, inovar e se adaptar.

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