Os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), foram afastados do caso envolvendo o assassinato do advogado Roberto Zampieri. A determinação de afastamento imediato é da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), realizada neste 1º de agosto.
“As investigações acenam para um cenário de graves faltas funcionais e indícios de recebimento de vantagens indevidas”, afirmou o Corregedor Nacional de Justiça em sua decisão.
A determinação pontua que os referidos desembargadores tinham relação íntima com a vítima, o que pode intervir no devido processo judicial do caso.
“Em paralelo com a incomum proximidade entre os magistrados e o falecido Roberto Zampieri, os autos sugerem, efetivamente, a existência de um esquema organizado de venda de decisões judiciais”, destacou a decisão da Corregedoria.
Leia também: Fazendeiro é indiciado por encomendar a morte do advogado Roberto Zampieri
O caso
Zampieri foi morto a tiros no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, no dia 5 de dezembro. O fazendeiro e empresário Aníbal Manoel Laurindo chegou ser preso e indiciado pelo crime – que, em tese, gira em torno de uma disputa de terra.
Segundo Nilson Farias, delegado responsável pelo caso, a motivação do crime foi uma disputa de terras em Paranatinga. Essa propriedade está avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. Zampieri defendia Jessé, uma pessoa que tentava retomar a posse das terras que, até então, estava com Aníbal e o irmão, Vanderlei.
“São fazendas contíguas, em que um irmão, que é o Vanderlei, perdeu a primeira ação, que buscava reivindicar essa terra, e na hora de executar a sentença, passou a executar também a fazenda do Aníbal, como se fosse uma fazenda só. Ai ele entra com uma interdição de terceiros para se defender”, relatou o delegado.