A Polícia Judiciária Civil concluiu o inquérito que apurou quem foi o mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri, 56 anos – morto no Bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, no dia 5 de dezembro -, e indiciou o fazendeiro e empresário Aníbal Manoel Laurindo.
Aníbal chegou a ser preso no dia 11 de março deste ano pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), mas conseguiu a liberdade após declarar problemas de saúde.
Segundo o delegado Nilson Farias, da DHPP, Aníbal foi indiciado por homicídio qualificado pela paga e promessa de recompensa, e pela traição de emboscada.
“Obviamente, que daqui pra frente começa a fase processual e ele vai ter direito contraditório à ampla defesa. Mas, na fase de inquérito, a minha conclusão, como autoridade policial, é de 101% de certeza de que foi Anibal quem mandou matar o advogado Roberto Zampieri”, disse o delegado.
Motivação
Segundo Nilson Farias, a motivação do crime foi uma disputa de terras em Paranatinga. Essa propriedade está avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. Zampieri defendia Jessé, uma pessoa que tentava retomar a posse das terras que, até então, estava com Aníbal e o irmão, Vanderlei.
“São fazendas contíguas, em que um irmão, que é o Vanderlei, perdeu a primeira ação, que buscava reivindicar essa terra, e na hora de executar a sentença, passou a executar também a fazenda do Aníbal, como se fosse uma fazenda só. Ai ele entra com uma interdição de terceiros para se defender”, relatou o delegado.
Farias relatou que Aníbal acreditava que Zampieri tinha proximidade com um desembargador responsável pelo processo. E, por acreditar que poderia perder o processo devido a essa suposta proximidade, ordenou a morte do advogado.
“A desconfiança era da proximidade, do vínculo de amizade. Inclusive, no processo cível, ele entra com a suspeição dizendo que existe uma proximidade. E o desembargador nega essa proximidade dentro do processo cível e se afasta”.
À época da investigação sobre os executores – onde o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi indiciado como intermediário do crime e Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa como executores – um dos executores disse que havia um áudio em que um homem, com sotaque italiano, dizia: “Meu irmão já perdeu e eu não vou perder a minha”, referente à terra.
“Naquela época nós não tínhamos quem era o mandante, suspeitava-se da Maria Angélica, e ela não encaixava realmente nisso.Tanto é que no final ela não foi indiciada, Porém, quando surge ele, se encaixa perfeitamente”, contou o delegado, que frisou que o sotaque em questão era, na verdade, sulista.
O delegado relatou também que foram encontradas imagens do processo desta disputa no celular do coronel Caçadini. À época em que foi detido, Caçadini afirmou não conhecer ninguém em Cuiabá. Porém, no dia em que Roberto Zampieri deu entrada com um pedido de produção de provas na ação cível da disputa de terras, foi tirada uma foto com o endereço do escritório dele, também encontrada no celular do coronel.
Já em relação à esposa de Aníbal, que a transferência do dinheiro pago pelo homicídio saiu da conta dela, o delegado afirmou que quem tinha o controle da conta era o fazendeiro. Por isso, ela não será indiciada.
Ligação entre indiciados
Segundo o delegado Nilson Farias, os envolvidos no crime se conheceram em protestos bolsonaristas.
“O Etevaldo Caçadini era do mesmo pensamento de que ideológico que o Anibal, então eles têm essa proximidade. E o Aníbal já atuou ali na brigada de Rondonópolis. Então, eles tinham essa proximidade devido a esse movimento, ao mesmo pensamento ideológico, como se conheceram”, afirmou o delegado.
Diante disso, Etevaldo ficou responsável por contratar os executores e foi até Minas Gerais cumprir a tarefa. Aníbal, por sua vez, não teve contato direto com os executores.




