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Desconectados: só metade dos candidatos usam redes sociais na campanha

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

Em tempos nos quais os políticos reforçam o discurso do bom uso do dinheiro público e, não raras vezes, condenam a existência do Fundo Eleitoral – cerca de R$ 4,9 bilhões do seu dinheiro destinado a campanhas nas eleições deste ano – a exploração do potencial das redes sociais para a propaganda política deixa a desejar.

Somente a metade dos candidatos a deputado federal em Mato Grosso, por exemplo, as utilizam com o objetivo de chegar ao eleitor. Um caminho bem mais barato que o da propaganda política tradicional, como destaca o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Hélio Ramos. 

“O custo financeiro nas redes sociais é bem menor do que os meios convencionais. Um investimento de R$ 200 mil não é feito nem por grandes varejistas em um mês, e dá para se fazer muita coisa com esse dinheiro, se levarmos em conta um trabalho bem feito de marketing. A publicidade convencional custa R$ 150 mil para o candidato, só de início da campanha”, ele afirma. 

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Políticos desconectados

Um levantamento da Agência Câmara mostra que algumas redes sociais, como o TikTok – uma das mais “badaladas” do momento -, são as apotas de apenas 10% dos candidatos.  

Facebook e Instagram ainda são as com mais usuários. Dos 161 candidatos que disputam uma das 8 cadeiras de Mato Grosso na Câmara Federal, 84 usam o Facebook e 81 o Instagram, o que totaliza, respectivamente, 52% e 50% do total. 

E oha que Mato Grosso é o segundo Estado com maior número de candidatos ativos em redes sociais. Está entre o Paraná, na primeira posição, e Rio Grande do Sul, na terceira. 

As outras mídias sociais mais conhecidas, como Twitter, Youtube e TikTok são utilizadas por menos de 10%, na sequência: 10, 12 e 12 candidatos.

A pesquisa da Agência Câmara foi feita com base em perfis de candidaturas. 

Falha na estratégia?

Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MT, Hélio Ramos, cita dados que podem apontar para uma explicação. As redes sociais, atualmente, estão estratificadas por faixa etária dos usuários.

A mais antiga dentre elas, o Facebook, concentraria as pessoas mais velhas, o Instagram seria mais assíduo entre pessoas que estão na casa dos 20 anos de idade e o TikTok, tem em sua maioria usuários que sequer atingiram a idade mínima necessária para votar. 

O levantamento da Agência Câmara também revela que os candidatos brancos, mais jovens, com maior escolaridade e com maior patrimônio são os com maior percentual de páginas cadastradas em mídias sociais. 

E entre os partidos políticos, o Novo é o com os candidatos mais conectados: 95% têm conta no Instagram, 89% no Facebook, 69% no Twitter, 66% no Youtube e 45% no Tiktok. 

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