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Economia

Por que 1 em cada 5 empresas fecham as portas em menos de um ano de operação?

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

Uma em cada cinco empresas fecham as portas em menos de um ano de operação no país. A constatação é do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e as sócias Cristiane Celina da Conceição, 43 anos, e Evanice Araújo, 47, fazem parte dessa estatística.

A lista de motivos, segundo o Sebrae, é longa. Passa pela falta de preparo de muitos empreendedores que se arriscam no negócio por necessidade, mas inclui outros fatores. No caso das futuras ex-donas da Cafeteria Dom Cappuccino Cuiabá, reflexos da pandemia e até questões pessoais pesaram para a decisão de fechar as portas.

A um mês de completarem um ano à frente do estabelecimento, elas já têm uma decisão tomada: não podem mais arcar com os altos custos para manter a empresa.

11 meses de história

O aconchegante espaço da Dom Cappuccino Cuiabá foi aberto em 2017 e, desde então, está em sua quarta gestão. Cristiane e Evanice compraram o local em 2021 e dividiram todas as tarefas, da administração ao atendimento aos clientes.

“Os três primeiros meses foram de aprendizado, preparando as coisas, os produtos. Esperávamos que a partir dali começássemos a ter o lucro. Porém, esse momento não chegou”, conta Evanice.

(Foto: Rede social)

Elas reconhecem que cometeram alguns erros, mas também foram pegas pela pandemia. A cafeteria fica localizada ao lado de uma escola particular em Cuiabá e, durante o período em que as aulas se tornaram remotas, a dupla de sócia chegou a amargar dias sem que um cliente sequer entrasse no local.

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O custo do aluguel – R$ 2.358 mensais – pesou. O sonho de reformar a fachada para chamar mais a atenção dos clientes foi ficando para depois. Até o ponto em que continuar comprando os alimentos que precisam para ter produtos para vender se tornou insustentável.

“Não tivemos capital de giro. Temos ainda os gastos com a comida de almoço, com os doces, além dos demais produtos que são frescos e adquirimos frequentemente”, comenta Cristiane.

Em meio a este cenário, as sócias decidiram que o melhor seria fechar as portas. O contrato de aluguel vence em 10 de abril e não será renovado.

“Às vezes é preciso dar um passo atrás para seguir em frente”, diz Cristiane.

Cristiane e Evanice se arriscaram em seu primeiro negócio há quase 11 meses (Foto: Rede social)

“Mortalidade” de empresas em MT

De acordo com o Sebrae, Mato Grosso possui uma “taxa de mortalidade” de 27% entre as empresas de pequeno porte com menos de 5 anos de atividade.

No universo dos pequenos negócios, os Microempreendedores Individuais (MEI) são os mais vulneráveis: 29% deles fecham as portas num período de 1 a 5 anos de funcionamento.

Para as Micro Empresas (ME) a taxa é de 21,6%; e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) apresentam o menor índice, 17%, conforme os dados de 2021.

Numa tentativa de reduzir esses índices, o Sebrae oferece treinamento. Cristiane e Evanice chegaram a fazer consultorias, mas conciliar as aulas de empreendedorismo com a manutenção do próprio negócio se tornou inviável, porque ocorriam no mesmo horário comercial.

Como se preparar para abrir uma empresa

O primeiro passo, segundo Beatriz Jardim da Silva, analista de negócios do Sebrae-MT, é pesquisar muito sobre o ramo no qual se pretende empreender.

“Quanto mais a pessoa souber sobre as fraquezas, os pontos fortes, as dificuldades da atividade, melhor”, ela explica. “Precisa entender também quem é consumidor desse serviço, a sua exigência, o que ele procura”.

Além disso, é fundamental ter capital de giro e estar atento às particularidades de cada ramo: gestão de pessoas, manutenção de estoques, manuais e regras que precisam ser seguidas.

(Foto: Divulgação)

Quem quer seguir o caminho do próprio negócio pode contar o Radar Sebrae de Oportunidades, ferramenta de inteligência de mercado que auxilia o empreendedor com informação sobre a conjuntura de negócio. O sistema possui dados de regiões de todos os municípios de Mato Grosso, mostra o ambiente competitivo e dados sobre o púbico alvo do empreendimento.

Ele pode ser acessado gratuitamente e atua com três linhas:

  • quem tem uma ideia de negócio e precisa validar;
  • os que já tem um negócio e desejam expandir para outras regiões;
  • quem necessita ampliar a visão do ambiente de negócios que atua.

Os dados são trabalhados a partir de um olhar mercadológico, mais competitivo, apontando possíveis concorrentes, onde está o mercado consumidor.

O Radar trabalha com informações de cenário, empresariais e urbanas de cada um dos municípios, relevando oportunidades de negócios ao pequeno empreendedor através de atendimento digital gratuito.

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