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Analfabetismo: o próximo problema que MT terá que enfrentar depois da pandemia

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Reinaldo Fernandes

O analfabetismo tende a se tornar um problema grande para Mato Grosso ao fim da pandemia. A fileira de pessoas sem instrução formal de qualidade tem engrossado. Fruto da evasão de muitos estudantes, em especial os do ensino médio. 

Antes da pandemia,, cerca de 7,5% da população mato-grossense era estimada como analfabeta pelo Instituto Brasileiro Geografia Estatística (IBGE). Os dados foram divulgados em julho de 2019 e representavam uma proporção de mais de 245 mil pessoas. 

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) estima que, em 2020, cerca de 76 mil alunos desistiram da escola por causa da interrupção das aulas devido à pandemia. E o sinal que eles voltarão um dia, até esse momento, é muito fraco. 

A inclusão deles no grupo de analfabetos é feita em cima dos números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), também com dados anteriores à pandemia e o fechamento das escolas. 

O analfabetismo é mais amplo hoje. Antes, se considerava uma pessoa analfabeta se ela não conseguisse notar uma letra e associa-la ao som e depois escrever uma palavra. Esse conceito mudou e passou a incluir as pessoas que, apesar de conseguir fazer isso, não conseguem desenvolver discurso, a habilidade de juntar as coisas em um todo coerente”, explica o doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (Usp), Silas Borges Monteiro. 

10 em 5?  

Uma proposta de plano estadual de educação em debate na Assembleia Legislativa de Mato Grosso estabelece a meta de cinco anos para o Estado erradicar o analfabetismo. Ele foi elaborado com base no Plano Nacional de Educação (PNE) e traz também a intenção de universalização escolar e superação da desigualdade educacional.  

Mas a experiência diz que esse prazo é muito ousado. Uma avaliação divulgada pelo secretário de Educação, Alan Porto, extraída de pesquisa em nível mundial, aponta que somente para superar o atraso escolar deixado pela pandemia serão necessários cerca de quatro anos.

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Mato Grosso já tinha problemas no ensino antes da pandemia. O doutor Sila Borges Monteiro participou da implantação de políticas públicas nas décadas de 1990 e 2010 e diz que, 10 anos depois do início dos trabalhos, ainda havia confusão nos municípios sobre as políticas. 

“Não é um problema só de implantação, a falta de planejamento e troca de governos e as mudanças de políticas, tudo conta para os efeitos dos números no ensino público”, afirma. 

Ele não crava prazos, mas arrisca que, daqui 10 anos, ainda veremos reflexos de problemas geradas por causa da pandemia isoladamente, sem levar em conta os que já existiam antes dela e se tornaram crônicos.  

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25 de abril de 2026 05:12