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Cerca de 20% dos profissionais da saúde se afastam do trabalho a cada 15 dias em MT

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Laura Nabuco

De 15% a 20% dos profissionais de saúde que atuam em unidades públicas de Mato Grosso se afastam do trabalho a cada duas semanas.

A afirmação foi feita pelo próprio governador Mauro Mendes (DEM), em entrevista à CNN Brasil, no início da tarde desta quarta-feira (15).

De acordo com o governador, não faltam equipamentos de proteção individual nos hospitais administrados pelo Estado. O estoque, segundo Mendes, é suficiente para enfrentar mais quatro meses de pandemia.

Mesmo assim, é significativo o número de médicos e enfermeiros que contraem a covid-19 ou que apresentam sintomas semelhantes, o que faz deles casos suspeitos e torna necessário um afastamento da linha de frente de combate à doença.

Horas antes, em entrevista coletiva online, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, já havia antecipado que pelo menos 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) estão prontos para serem abertos, mas faltam médicos e enfermeiros para atender os pacientes que serão internados neles.

Fila por UTI

A situação é um dos fatores que contribui para a fila de pessoas com casos graves da covid-19 e que não conseguem tratamento. Segundo Mauro Mendes, só nesta terça-feira (14), cerca de 70 pacientes aguardavam uma vaga em UTI no Estado.

Na entrevista, o governador também falou sobre a “judicialização da saúde”.

Pontuando que não apenas Mato Grosso, mas o mundo passa por uma situação atípica, Mendes disse reconhecer a “boa intenção”, mas pediu “bom senso” da Defensoria Pública e do Poder Judiciário como um todo.

Se não existe vaga, não adianta o juiz mandar internar. Quando ele faz isso, ele fura a fila da regulação. Ninguém aqui está escondendo leitos de UTIs”, afirmou.

Lockdown

Perguntado sobre o fato de Mato Grosso ser apontado como o novo epicentro da covid-19 no Brasil, Mendes disse considerar o título injusto já que, desde o início da pandemia no país, outras regiões também passaram – e já superaram – surtos semelhantes ao registrado agora no Estado.

O governador ainda voltou a afirmar que não vai tomar uma decisão única para o Estado todo de impedir o funcionamento das atividades econômicas. Segundo ele, é preciso considerar que algumas cidades não enfrentam situação tão crítica quanto outras, por isso, as medidas têm que partir dos prefeitos.

“Se fosse só pela arrecadação do governo, nós daríamos um jeito, seria possível contornar. Mas não podemos arruinar a vida das pessoas”, disse Mendes, pontuando que a “morte” de uma empresa e dos empregos que ela gera “também é dolorida”.

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