97 crianças com menos 11 anos desapareceram em 2019

Polícia aponta que sumiço geralmente está ligado a outros crimes, como violência doméstica

Imagem Ilustrativa (Foto: Arquivo)

Uma alta porcentagem de resolutividade, desfechos inesperados e geralmente motivados por um crime, seja ele violência doméstica, abuso sexual, sequestro ou negligência. Assim são os casos que envolvem o desaparecimento de crianças em Mato Grosso.

De acordo com as estatísticas da Secretaria de Estado de Segurança Pública, 1.933 notificações de desaparecimento foram realizadas em 2019 em Mato Grosso, sendo que 5% dos casos envolvem crianças com menos de 11 anos.

Alguns deles causaram comoção pública, como o dos três irmãos – 13, 10 e 9 anos – que desapareceram em Várzea Grande em agosto deste ano e foram achados dias depois.

Também tem o caso do pequeno Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho, 6 anos, de Rondonópolis, que ainda não foi localizado.

Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho ainda é procurado pela polícia.

Outros sequer chegaram a ser noticiados e foram solucionados já nas primeiras horas após o registro da ocorrência.

A escrivã Janaína Silva e o delegado Anderson Veiga contam que a experiência faz com que algumas situações já tenham ponto de partida.

Por exemplo, quando some a mulher e os filhos, a primeira linha de investigação é fuga de ambiente de violência doméstica. Em todos os casos deste tipo que apareceram no ano passado, a suspeita se confirmou.

“Já houve situação onde localizamos a mulher e os filhos e a aconselhamos a procurar a polícia e pedir medidas protetivas. A mãe relatou agressões sucessivas e, então, não informamos o paradeiro ao marido por questão de segurança”.

Era padrasto, virou marido e acabou abandonado

Janaína conta um caso atípico que apareceu. Um homem com mais de 50 anos estava em busca da esposa, que tinha 18 anos.

Ele era de Goiânia (GO) e relatou que morava em Campo Novo dos Parecis, onde era casado com uma mulher, que na época era mãe de uma menina – enteada dele.

Quando a jovem fez 14 anos, a mãe descobriu que a filha estava grávida e o pai era o então marido dela e padrasto da menina.

Na tentativa de evitar problemas, ele fugiu com a menina para Goiânia, onde passou a viver uma vida matrimonial com a adolescente.

A jovem teve dois filhos com o senhor e, então, pegou todo dinheiro que ele tinha na conta e fugiu com os filhos. A quantia era de R$ 17 mil.

Quando mãe e filhos desaparecem e o marido é o comunicante, 1ª linha de investigação é fuga de violência doméstica.

“Ele fez o primeiro BO na delegacia de Goiânia e resolveu vir aqui porque a jovem pegou o primeiro ônibus com direção a Cuiabá. Não satisfeito, ainda foi até a casa da sogra e ex-mulher ameaçá-la”.

Os investigadores de Cuiabá se recusaram a fazer buscas. Primeiro porque a competência do caso era de Goiânia e também pelo fato da ameaça da ex-companheira.

A mulher foi orientada e registrou um boletim de ocorrência contra ele e ainda pediu medidas protetivas.

Falta de cautela

Outro caso que chamou a atenção foi de uma criança de 4 anos que sumiu no bairro Araés, em Cuiabá.

A menina simplesmente desapareceu e várias diligências foram feitas na área, inclusive com a ajuda de retratos falados.

Conforme informações da família, ela tinha sido deixada na creche e ao fazer a linha cronológica, os investigadores descobriram que a mãe mandou o filho de 8 anos levar a irmã de 4 anos na creche.

Polícia adverte que pais devem ter cautela com crianças com menos de 11 anos (Imagem ilustrativa)

Como chegou muito cedo, o portão não estava aberto, mas mesmo assim, o menino deixou a irmã no local e foi para escola.

Dessa foram, o desaparecimento só foi percebido no final da tarde, quando a mãe foi buscar a criança e não encontrou.

Desfecho inusitado

Após uma forte divulgação, uma mulher se apresentou no conselho tutelar do outro lado da cidade com a menina. A pequena estava com roupas novas, cabelo cortado e uma boneca debaixo do braço.

A mulher relatou que passava pela rua da creche e viu a menina sozinha e chorando muito no meio do caminho. Sem nem pensar duas vezes, parou para ajudar e como não viu nenhum adulto, resolveu levá-la para casa.

Quando viu as matérias na TV, resolveu se apresentar e devolver a menina.

Sequestro

Outros casos são de crianças envolvidas em conflito dos pais. Nestas situações, um dos parceiros fica inconformado e rapta o filho, seja durante um dia de visita ou na escola, por exemplo.

Este ano um homem de 28 anos roubou o filho recém-nascido da mãe. Ele não aceitou a separação e depois de preso, ameaçou a mulher de morte. O caso foi registrado em julho.

Primeiras horas vitais

O delegado Anderson Veiga conta que nos casos de criança, os primeiros minutos são vitais para a recuperação. Ele esclarece que diferente dos adolescentes, que têm liberdade de se locomover e estão em uma fase de descobertas, a criança está sempre monitorada.

Quando os registros costumam ser feitos em menos de 24 horas do sumiço e o primeiro passo é procurar nos arredores do local.

Em seguida é feita a linha cronológica, identificado os locais por onde ela passou, as circunstâncias e também os espaços que costuma frequentar.

Se após encontrada, a criança relatar estar fugindo de maus-tratos, abusos ou qualquer outro crime, o caso é encaminhado para a delegacia especializada do Direito da Criança e do Adolescente.

Caso Samuel

Conforme a assessoria de imprensa da Polícia Civil, as investigações que apuram o desaparecimento do menino Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho seguem em andamento na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis.

Por se tratar de um caso complexo, o trabalho exige diligências específicas que continuam sendo realizadas pela equipe da Polícia Civil.

No momento não há informações novas que possam ser passadas à imprensa para não atrapalhar o andamento das investigações.

O menino desapareceu em outubro. Ele estava sendo cuidado pela avó e quando ela foi fazer um lanche para o neto na cozinha, ele saiu pelo portão.

Desde então, foram feitas várias diligências e buscas, mas ainda não se tem notícia do paradeiro da criança.

Como ajudar

As pessoas que quiserem ajudar a encontrar os desaparecidos podem acessar as redes sociais do departamento @desaparecidosdhppMT.

Leiam também:

Telefones:

  • 197/181
  • Delegacia de Homicídios Proteção à Pessoa (DHPP) – (65) 3901-4825
  • Núcleo de Desaparecidos – (65) 99982-7766 / 3901-4823

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