Viver próximo a queimadas aumenta em 36% chances de parar no hospital

Em 2019, aumento na internação de crianças gerou um custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde

(Foto: Freepik)

Viver em uma cidade próxima a focos de incêndio aumenta em 36% o risco de ser internado por problemas respiratórios. A afirmação é da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) que, no ano passado – quando o coronavírus parecia enredo de ficção científica – mapeou o impacto das queimadas para a saúde infantil na região amazônica.

A pesquisa, também coordenada pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), concluiu que, nas áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou.

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Crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, são os mais afetados. O público infantil é mais suscetível à poluição por possuir um sistema imunológico ainda em desenvolvimento e o aparelho respiratório em formação.

Foram cerca de 2,5 mil internações a mais de crianças, por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal, em especial no Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso.

O aumento gerou um custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS).

No Norte de Mato Grosso, 9 cidades apresentaram 147 internações. Segundo a Fiocruz, o número é significativamente acima do esperado: 99.

A expectativa é que, com o aumento das queimadas, o dados hospitalares também cresçam em 2020. A reportagem do LIVRE entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para tabular os dados recentes, mas não obteve resposta.

Cidades com taxas de internação de crianças por problemas respiratórios com valores significativamente maior que o esperado (Foto: Reprodução)

Poluição atmosférica

A queima de biomassa gera uma grande diversidade de gases e partículas que podem ser transportadas por centenas quilômetros, produzindo plumas de poluição de larga escala.

Exemplo disso ocorreu na segunda-feira (31), quando uma nuvem de fumaça tomou Cuiabá.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o vento Norte em direção à Capital trouxe a fumaça dos incêndios próximo ao Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em nota técnica divulgada na terça-feira (1º), o Instituto Centro de Vida (ICV) aponta a tendência de aumento nos focos de calor em 2020. Entre janeiro e 20 de agosto, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou mais de 15 mil focos de calor em Mato Grosso.

O número é 7% mais elevado do que os registros do mesmo período do ano anterior.

“As consequências dos incêndios são enormes. Vão desde os impactos para a biodiversidade e equilíbrio ambiental até prejuízos econômicos, como o comprometimento do potencial turístico tão importante para a região. Um dos maiores impactos ocorre na saúde da população local com o aumento da frequência de doenças respiratórias, em meio ao auge da pandemia do covid-19 na região”, diz o ICV.

Os índices de incêndios florestais em Mato Grosso já são históricos. De janeiro até meados de agosto, o Estado já teve 1,7 milhão de hectares queimados. A área é cinco vezes maior que a da cidade de Cuiabá. Cerca de 37% dessas ocorrências se concentraram na Amazônia.

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