Um apagão de grandes proporções atingiu Cuiabá e outras 32 cidades de Mato Grosso na noite de segunda-feira (13) e na madrugada desta terça (14). Além do Estado, 16 unidades da Federação e o Distrito Federal registraram falta de energia. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o problema não foi falta de geração, mas uma falha técnica no sistema de transmissão nacional após um incêndio em uma subestação no Paraná.
A seguir, O LIVRE separou um ponto a ponto do que aconteceu para você ficar por dentro do assunto.
Quando o apagão aconteceu?
Em Mato Grosso, a falha foi registrada por volta das 23h30 de segunda-feira (13).
Já no sistema nacional, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontou que o problema atingiu o Sistema Interligado Nacional (SIN) às 0h32 da madrugada de terça (14).
Quantas cidades e pessoas foram afetadas em MT?
33 cidades de Mato Grosso
Cerca de 295 mil pessoas sem energia
Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sorriso, Sinop e outras cidades registraram oscilações ou corte total de energia.
Em alguns bairros da Capital, a escuridão durou alguns minutos; em outros, até mais de uma hora.
O que causou o blecaute?
O problema começou com um incêndio em um reator da Subestação de Bateias, localizada em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (PR).
A subestação, de 500 kV, é uma das principais interligações entre a Região Sul e o Sudeste/Centro-Oeste.
O incêndio provocou a abertura automática da interligação e derrubou o sistema.
Estados atingidos
Segundo o Ministério e o ONS, 16 estados + Distrito Federal foram afetados:
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba, Sergipe, Amazonas, Santa Catarina, Rondônia, Tocantins, Amapá.
Ou seja: impacto em todas as regiões do país.
Quanto de energia foi interrompida?
Foram aproximadamente 10.000 megawatts (MW) de carga desligada, afetando todos os quatro subsistemas do Brasil:
Sul: 1.600 MW
Sudeste/Centro-Oeste: 4.800 MW
Nordeste: 1.900 MW
Norte: 1.600 MW
Quanto tempo durou?
Em Cuiabá: cerca de 1h20 até a normalização.
No Brasil, o ONS afirma que em até 1h30 quase todas as cargas foram restabelecidas.
A região Sul demorou mais: 2h30 para recomposição total.
Foi falta de energia no país?
Não.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou:
“Não é falta de energia. É um problema na infraestrutura que transmite a energia. Hoje nós temos muita energia.”
Ele destacou que o sistema de transmissão brasileiro foi reforçado com mais de R$ 70 bilhões em obras e que foi um episódio pontual.
O que diz a Energisa?
A empresa informou que o problema foi externo e determinado pelo ONS.
Por segurança, precisou interromper o fornecimento em várias regiões de Mato Grosso.
A Energisa também explicou:
Atua somente na distribuição, não na transmissão.
Está acompanhando os trabalhos de recomposição.
Segue em contato com o ONS.
O que diz o Operador Nacional do Sistema (ONS)?
Houve uma falha no Sistema Interligado Nacional.
O incêndio desligou toda a subestação de Bateias.
O Sul estava exportando 5.000 MW para o Sudeste/Centro-Oeste no momento do problema.
A recomposição foi iniciada imediatamente.
Investigações em andamento
O ONS marcou duas reuniões com os agentes do setor elétrico:
Uma ainda hoje (14). Outra, chamada Análise da Perturbação, até sexta-feira (17)
Essa reunião vai definir responsabilidades e apontar medidas para evitar novos episódios.
O sistema elétrico brasileiro está seguro?
Segundo o ministro, sim. Ele afirmou que o episódio foi pontual e que o sistema está mais robusto que em 2001 e 2021, quando houve crises por falta de energia.
Porém, especialistas alertam que incêndios em subestações são raros, mas podem indicar necessidade de manutenção e monitoramento mais rígidos.





