14 de abril de 2026 13:26
Crônicas Policiais

Veja quem são os médicos investigados por superfaturar cirurgias pagas pelo SUS em Mato Grosso

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Redação

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (4), a Operação Fio de Aço, para desarticular um suposto esquema de fraudes em procedimentos médicos custeados com recursos públicos. O grupo é investigado por direcionar contratos e simular concorrência entre empresas de saúde para inflar orçamentos e obter vantagem indevida.

De acordo com o portal Folha Max, os investigados são o urologista Carlos Evaristo Metello e o médico cirurgião Aritony de Alencar Menezes, também empresário e dono da empresa Contectmed. Ambos tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos em suas residências, no condomínio Florais dos Lagos, em Cuiabá. Um deles foi surpreendido dentro da academia do local no momento da chegada dos investigadores.

O esquema seria liderado por Anderson Leôncio de Oliveira Araújo, e envolveria ainda as empresas Rondelo, Uromed e L.A Serviços, entre outras. A juíza Edna Ederli Coutinho determinou o bloqueio inicial de R$ 388 mil em bens, mas a Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) estima que o prejuízo aos cofres públicos possa chegar a R$ 8 milhões.

A investigação teve início após uma denúncia do Poder Judiciário, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflito e Cidadania da Saúde Pública (Cejusc), que identificou sobrepreço em orçamentos apresentados em processos judiciais para custeio de cirurgias de pacientes do SUS e assistidos pela Defensoria Pública.

O levantamento apontou um padrão de comportamento entre as empresas envolvidas, que, embora apresentassem orçamentos distintos, seriam controladas ou geridas pelo mesmo grupo de pessoas — configurando um sistema organizado para direcionar contratos e simular concorrência.

Ainda segundo o Folha Max, Aritony de Alencar Menezes é casado com a médica dermatologista Letícia Bortolini, que responde na Justiça por homicídio no trânsito. Ela é acusada de atropelar e matar o verdureiro Francisco Lúcio Maia, em 2018, na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, enquanto dirigia em alta velocidade. Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que Letícia não será julgada pelo Tribunal do Júri.

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de veículos, imóveis e bloqueio de contas dos investigados. Eles estão proibidos de manter contato entre si e com testemunhas, de deixar a comarca sem autorização judicial e tiveram os passaportes recolhidos.

As empresas e representantes também estão proibidos de contratar com o poder público, em qualquer esfera, especialmente em processos ligados à área da saúde.

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