Trabalho de dois em dois anos: o que fazem os partidos quando não há eleição?

Em Cuiabá, uma única rua abriga as sedes mato-grossenses de três das maiores legendas do país

Na Rua Alemanha, do bairro Santa Rosa, em Cuiabá, as sedes do MDB e PSD marcam a mesma esquina (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Quarta-feira, 21 de agosto de 2019. Daqui a pouco menos de um ano, os candidatos que disputarão cargos na eleição municipal de 2020 já estarão autorizados a fazer propaganda em busca de votos. Mesmo assim, na rua Alemanha, do bairro Santa Rosa – um dos metros quadrados mais caros de Cuiabá – não há movimento algum nas sedes mato-grossenses de três dos maiores partidos do país.

PSD e MDB dividem a mesma esquina da rua. A sede de um partido fica exatamente em frente a do outro. Por volta das 14h de um dia útil, bem no meio da semana, no entanto, só uma mulher que se identificou como secretária do PSD estava no local.

Segundo ela, na casa emedebista não é diferente. Um único funcionário – que a reportagem do LIVRE não encontrou – trabalha no local.

“Movimento mesmo só na época da eleição. Daí começa às 6h da manhã e não tem hora para acabar”, ela disse, sem conseguir precisar quantas pessoas, em média, trabalham no casarão azul e branco quando a busca por votos tem início.

Benedita se identificou como secretária do PSD e revelou ficar sozinha na sede da sigla a maior parte do tempo (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Nos demais períodos do ano, apenas algumas poucas reuniões entre os membros da direção do PSD em Mato Grosso são realizadas. Fora isso, a mulher também é responsável por receber quem quer se filiar à legenda.

Diretamente na sede do partido, são poucos os que aparecem. Quando vêm, via de regra, já chegam com um horário marcado com o presidente ou outro representante da sigla. O mais comum é o recebimento dos documentos já preenchidos. Esses sim são muitos, conforme ela.

Na mesma rua, metros acima, um carro e o portão aberto indicam que há movimento na sede dos diretórios estadual e municipal – os dois funcionam na mesma casa – do PSDB. Quando a campainha toca, a porta é aberta imediatamente. Na recepção, uma moça atrás do balcão diz que o local funciona diariamente, das 13h às 18h.

Diante dos questionamentos da reportagem, outra mulher, sentada nas cadeiras da sala de espera, revela também ser funcionária da legenda. Se identificando como assessora, ela diz que o presidente não está e que só ele pode dar mais informações. Além dela, outras duas pessoas estavam no recinto.

Tempo de “planejamento”

Presidente do PDT de Cuiabá, o maestro Fabrício Carvalho afirma que anos não eleitorais são períodos em que o partido aproveita para planejar suas ações.

Além de receber novos filiados, em especial pessoas que têm interesse em se candidatar a algum cargo, são realizadas reuniões entre os membros da direção para definir as “causas” que a legenda vai defender.

No caso do PDT, segundo Carvalho, há ainda uma movimentação para levar esses debates para os bairros, com o intuito de ouvir o que pensa a população. Por enquanto, a legenda não tem um prédio para abrigar sua sede em Cuiabá.

Agora presidente do PDT de Cuiabá, o maestro Fabrício Carvalho diz que ano não eleitoral é de “planejamento” (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“As pessoas acham que o político só aparece na época da eleição. A gente está pretendendo fazer um pouco diferente”, ele justifica.

E ao ser questionado como reagem as pessoas que são abordadas “fora de época” por integrantes de partidos políticos ele responde: “eu diria que 50% olha a gente meio torto e 50% fica muito feliz”.

O que dizem as legendas?

A reportagem do LIVRE entrou em contato com as assessorias de imprensa dos três partidos citados, mas até o momento, nenhuma se manifestou sobre os questionamentos.

O espaço continua aberto.

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