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Propina de até R$ 600 mil: empresa que colaborou com a PF queria se livrar de “incômodo”

Foto de Laura Nabuco
Laura Nabuco

A colaboração espontânea do grupo BRF com a Polícia Federal, que permitiu a deflagração da quarta fase da Operação Carne Fraca foi, na avaliação do delegado Maurício Moscardi Grillo, uma demonstração de que a empresa queria “se livrar” de uma situação que já havia se transformado em um “incômodo”.

Em entrevista coletiva concedida em Curitiba (PR) – de onde os mandados de busca e apreensão foram emitidos – o delegado afirmou que alguns auditores fiscais agropecuários – funcionário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – chegaram a receber até R$ 600 mil em propina.

O valor era repassado como se correspondesse ao pagamento por um serviço prestado à BRF. As empresas – registradas nos nomes desses fiscais –, no entanto, eram de fachada e serviam exclusivamente para o recebimento do dinheiro ilícito.

“Existe uma legislação complexa sobre saúde pública e um fiscal que eventualmente quisesse incomodar a empresa, teria todas as formas de causar esse tipo de situação. Algumas vezes, esse pagamento era para não ter esse incomodo, de ter uma pessoa pegando no pé, reparando em cada detalhe”, disse o delgado.

Em outras situações, a BRF pagava a propina para ter processos acelerados. Segundo delegado, nem a própria empresa sabe especificar o quanto de vantagem ganhou pagando para que os fiscais não fizessem o trabalho que deveriam.

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No total, 60 auditores fiscais foram alvo da operação e a Polícia Federal não descarta que esse número seja ainda maior. Dentre eles, 39 ainda estavam na ativa e acabaram afastados de suas funções.

A estimativa da Polícia Federal e da BRF e que o total em propina pago pode ter chegado a marca dos R$ 19 milhões.

União avícola

Sobre a participação no esquema investigado da empresa que pertence ao ex-senador por Mato Grosso Cidinho Santos, o delegado afirmou que se tratava de uma “intermediária” no pagamento da propina.

A União Avícola possuía contrato com a BRF e cobrava por meio dele o dinheiro que repassava aos auditores fiscais corruptos.

Agora, a Polícia Federal quer identificar quem dentro da empresa sabia e mantinha o esquema funcionando.

“Onde se tem corrupção passiva, existe corrupção ativa também”, disse o delegado, que destacou que a os mandados cumpridos em Nova Marilândia (250 km da Capital) e Cuiabá pretendiam, justamente, encontrar elementos para ampliar a investigação.

Até agora, conforme a Polícia Federal, Cidinho Santos “não é um investigado, diretamente”. O delegado destacou, entretanto, que no caso da BRF empregados – o que inclui até executivos da empresa – que permitiam o pagamento da propina serão acusados.

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